O Fim dos Humanos

Galdenturex, noite. A brisa fria cheia de luz da Lua percorre cada grão de areia ou rocha desse imenso deserto-continente. O tempo está bom. Não há nuvens e pode-se ver claramente as constelações que se mostram nessa região. Tudo está calmo no céu. Pena que não possa dizer o mesmo da terra.

Espadas dançando sob a Lua. Há uma guerra em uma má hora. Humanos contra humanos. Irmãos lutando por razões irracionais. São duas cidades inimigas que resolveram acabar com isso de uma vez. E agora estão guerreando. Numa guerra onde se espera que haja apenas um vencedor. No meio do deserto. Fora de suas fronteiras. Quem sabe até quando essa luta prosseguirá? Madeira é mais rara que metal: espadas de ferro ou ouro. Do cabo à afiada ponta é apenas metal. Roupas de couro se rasgam aos golpes enquanto nas cidades mulheres e crianças, poucas da população, aguardam tristes o fim dessa luta.

Duas cidades em guerra. As duas únicas cidades humanas. Em guerra para ver quem será a única. Já é tarde. Sons de metal. Cheiro de sangue. Já é tarde, mas nenhuma desiste e seguem lutando até que haja um vencedor. Homens se matam no deserto. Nas cidades, mulheres e crianças fecham desesperadamente portas e janelas. Perigos noturnos. E a guerra prossegue em seus passos sangrentos.

Enquanto se matam, guerreiros não percebem que suas cidades estão sendo invadidas. Monstros noturnos derrubam as portas. Devoradores esperavam esse momento. Carnívoros comem os únicos humanos que não foram à guerra. Sem saber disso, guerreiros prosseguem em fúria doentia. Humanos contra humanos ao nascer do Sol. A montanha de corpos é imensa. Imensa é a fúria restante nos corpos que ainda lutam. Sons de metal. Cheiro de sangue. Os poucos guerreiros que sobreviveram até agora se vêem em perigo e só agora percebem seu erro.

Sons de metal. Cheiro de sangue. Mais que suficiente para atrair a atenção de seres letais. Dragões emergem do solo arenoso. São poucos, mas são poucos também os humanos sobreviventes. Inimigos se aliam em uma esperança inútil. Uma aliança que chega atrasada. Mesmo unidos, ainda são poucos. Guerreiros em pânico tentam lutar. Dragões em fome lutam ferozmente. É o fim.

-- Cárlisson Galdino


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