- Quase que a gente não acha essa porcaria! - Halkond solta, enquanto ele entra nas ruínas subterrâneas iluminadas fracamente por um globo de luz mágico na mão de Azkelph. Os outros já estão lá.
- Lendas nem sempre são precisas, ou mesmo corretas. - Zand responde.
O lugar é cheio de pedras que caíram das paredes, algumas o suficiente para deixar uma passagem, outras não... Há portas arrombadas, outras ainda trancadas de madeira velha. Um ambiente sombrio, como se a qualquer momento se pudesse ouvir gritos estridentes dos presos que outrora aqui sofreram. Ou como se a qualquer momento os próprios presos de outrora fossem se erguer e correr contra o pequeno grupo de aventureiros.
- O que foi isso? - Rubi pergunta, olhando para um corredor por onde passa. Ninguém mais ouviu, mas todos ficam a postos.
Algo se aproxima correndo. Algo estranho...
- Um esqueleto!?
Um estrondo ecoa, seguido pelo barulho de ossos caindo. Halkond num giro da Roph-Raph desfaz a criatura.
- Essa arma é mesmo boa hein! - Comenta, olhando os ossos totalmente separados e sem vida, espalhados a seus pés, pelo chão.
- Vamos prosseguir.- Rubi fala e segue em frente, tentando evitar que o grupo perca um precioso tempo.
Eles seguem mais um pouco, inquietos com o que pode acontecer. Afinal o esqueleto, mesmo sendo apenas um esqueleto, estava se aproximando em velocidade.
Poucos passos além e eles estão trocando olhares novamente.
- Será que são mais esqueletos? - Azkelph pergunta.
- São. - Rubi responde prontamente. - Mas ainda estão um pouco longe.
- Como você sabe?
- Ouça o barulho! É barulho de ossos, ora!
- Mas... - Antes que Azkelph complete a frase, um urro altíssimo acima de suas cabeças. A luz se apaga.
- Que está havendo?! - Halkond grita. Pode-se ouvir ele golpeando não se sabe o quê com a lança.
Uma voz agonizando se ouve perto do chão.
Alguns segundos depois, a luz volta da mão de Azkelph. Rubi e Zand juntos, estão presos um ao outro por um dos braços. Com o outro, Zand empunha sua morningstar e Rubi um sabre. Azkelph está próximo de ambos. Do outro lado, Halkond golpeia o vazio, parando com a chegada da luz.
- O que foi que houve, Azkelph?
- Desculpe-me. Perdi a concentração. Isso não poderia acontecer.
- Não mesmo!
- E o que foi aquilo?
- A prova. - Zand responde enquanto puxa Rubi para que continuem o caminho. - A prova de que as lendas estavam certas ao menos nesse ponto.
- É, aqui está assombrado.
Uma risada de menina de cinco anos, com ar de maldade, de repente rasga o quase silêncio. Eles olham em volta e nada vêem.
A jornada prossegue e aos poucos vão se acostumando com choros, gritos, urros e gargalhadas que vêm do nada. Por vezes um arrastar de cadeira ou uma briga de espadas.
- Tem alguma coisa estranha aqui. - Rubi fala apontando para uma sala. Os outros se aproximam e entendem o que Rubi queria falar.
A luz não entra na sala. Se defaz em poucos centímetros e se perde. Azkelph aproxima a mão com o globo de luz mágica, com todo cuidado e o globo vai ficando mais fraco à medida em que entra na sala. Ele recua o braço.
- É como se estivesse sob efeito de uma magia de escuridão.
- E isso é muito mal.
- Não, isso não faz mal nenhum. Só nos impede de enxergar. O perigo é o que existe nessa sala que alguém não quer que a gente enxergue.
- É como se fosse uma neblina de sombra...
- Deve estar aí. - Zand fala.
- Quê?
- A Eve-64.
- Você está louco?! Como pode saber?
- Intuição. - E se volta para Azkelph. - Não consegue dissipar essa magia?
- Posso tentar...
Ele começa a gesticular e falar palavras em algum idioma arcaico
- O que querem?
A voz é grave e vem de dentro da sala.
- Agora danou-se... - Halkond responde, já posicionando a Roph-Raph, mas Zand o interrompe.
- Procuro Eve.
- Que Eve?
- Eve, a Guerreira.
- Procura Eve...
A voz parece bem mais calma. Após um tempo de aparente reflexão, a voz volta a falar.
- O que ganho em troca? Um de vocês tem que ficar.
- Calma! - Zand fala para Halkond, que já iria entrar na sala com a lança.
- Isso já é abusar da minha paciência!
- Calma, que a gente dá um jeito...
- Tudo bem. - Quem responde não é Halkond que responde, mas a voz estranha. - De qualquer maneira, Eve já espera por você.
Os outros se olham espantados.
- Pode entrar, mas entre só.
- Não vai, Zand! - Rubi segura seu braço.
- Tenho que ir.
- E se não voltar?
- Não se preocupe. - Zand a beija e a olha nos olhos. - Eu voltarei.







RSS
Submeter um novo comentário