Escarlate #38 - Masmorra

Escarlate #38 - Masmorra

- Quase que a gente não acha essa porcaria! - Halkond solta, enquanto ele entra nas ruínas subterrâneas iluminadas fracamente por um globo de luz mágico na mão de Azkelph. Os outros já estão lá.

- Lendas nem sempre são precisas, ou mesmo corretas. - Zand responde.

O lugar é cheio de pedras que caíram das paredes, algumas o suficiente para deixar uma passagem, outras não... Há portas arrombadas, outras ainda trancadas de madeira velha. Um ambiente sombrio, como se a qualquer momento se pudesse ouvir gritos estridentes dos presos que outrora aqui sofreram. Ou como se a qualquer momento os próprios presos de outrora fossem se erguer e correr contra o pequeno grupo de aventureiros.

- O que foi isso? - Rubi pergunta, olhando para um corredor por onde passa. Ninguém mais ouviu, mas todos ficam a postos.

Algo se aproxima correndo. Algo estranho...

- Um esqueleto!?

Um estrondo ecoa, seguido pelo barulho de ossos caindo. Halkond num giro da Roph-Raph desfaz a criatura.

- Essa arma é mesmo boa hein! - Comenta, olhando os ossos totalmente separados e sem vida, espalhados a seus pés, pelo chão.

- Vamos prosseguir.- Rubi fala e segue em frente, tentando evitar que o grupo perca um precioso tempo.

Eles seguem mais um pouco, inquietos com o que pode acontecer. Afinal o esqueleto, mesmo sendo apenas um esqueleto, estava se aproximando em velocidade.

Poucos passos além e eles estão trocando olhares novamente.

- Será que são mais esqueletos? - Azkelph pergunta.

- São. - Rubi responde prontamente. - Mas ainda estão um pouco longe.

- Como você sabe?

- Ouça o barulho! É barulho de ossos, ora!

- Mas... - Antes que Azkelph complete a frase, um urro altíssimo acima de suas cabeças. A luz se apaga.

- Que está havendo?! - Halkond grita. Pode-se ouvir ele golpeando não se sabe o quê com a lança.

Uma voz agonizando se ouve perto do chão.

Alguns segundos depois, a luz volta da mão de Azkelph. Rubi e Zand juntos, estão presos um ao outro por um dos braços. Com o outro, Zand empunha sua morningstar e Rubi um sabre. Azkelph está próximo de ambos. Do outro lado, Halkond golpeia o vazio, parando com a chegada da luz.

- O que foi que houve, Azkelph?

- Desculpe-me. Perdi a concentração. Isso não poderia acontecer.

- Não mesmo!

- E o que foi aquilo?

- A prova. - Zand responde enquanto puxa Rubi para que continuem o caminho. - A prova de que as lendas estavam certas ao menos nesse ponto.

- É, aqui está assombrado.

Uma risada de menina de cinco anos, com ar de maldade, de repente rasga o quase silêncio. Eles olham em volta e nada vêem.


A jornada prossegue e aos poucos vão se acostumando com choros, gritos, urros e gargalhadas que vêm do nada. Por vezes um arrastar de cadeira ou uma briga de espadas.

- Tem alguma coisa estranha aqui. - Rubi fala apontando para uma sala. Os outros se aproximam e entendem o que Rubi queria falar.

A luz não entra na sala. Se defaz em poucos centímetros e se perde. Azkelph aproxima a mão com o globo de luz mágica, com todo cuidado e o globo vai ficando mais fraco à medida em que entra na sala. Ele recua o braço.

- É como se estivesse sob efeito de uma magia de escuridão.

- E isso é muito mal.

- Não, isso não faz mal nenhum. Só nos impede de enxergar. O perigo é o que existe nessa sala que alguém não quer que a gente enxergue.

- É como se fosse uma neblina de sombra...

- Deve estar aí. - Zand fala.

- Quê?

- A Eve-64.

 - Você está louco?! Como pode saber?

- Intuição. - E se volta para Azkelph. - Não consegue dissipar essa magia?

- Posso tentar...

Ele começa a gesticular e falar palavras em algum idioma arcaico

- O que querem?

A voz é grave e vem de dentro da sala.

- Agora danou-se... - Halkond responde, já posicionando a Roph-Raph, mas Zand o interrompe.

- Procuro Eve.

- Que Eve?

- Eve, a Guerreira.

- Procura Eve...

A voz parece bem mais calma. Após um tempo de aparente reflexão, a voz volta a falar.

- O que ganho em troca? Um de vocês tem que ficar.

- Calma! - Zand fala para Halkond, que já iria entrar na sala com a lança.

- Isso já é abusar da minha paciência!

- Calma, que a gente dá um jeito...

- Tudo bem. - Quem responde não é Halkond que responde, mas a voz estranha. - De qualquer maneira, Eve já espera por você.

Os outros se olham espantados.

- Pode entrar, mas entre só.

- Não vai, Zand! - Rubi segura seu braço.

- Tenho que ir.

- E se não voltar?

- Não se preocupe. - Zand a beija e a olha nos olhos. - Eu voltarei.


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