- Então essa é que é Rubi? - Willen sorri à porta de casa ao receber o grupo viajante e faz uma careta engraçada na direção de Zand, insinuando qualquer coisa. - Entrem! Fiquem à vontade!
Já é tarde, quase de noite. Na sala apertada, Zand e Rubi dividem o sofá, enquanto Azkelph e Halkond se sentam em bancos de madeira. Logo o velho Willen retorna, acompanhado de uma jovem loira de cabelos curtos e olhos verdes. Traços delicados e jeito de moça do interior.
- Esta é minha filha Tila.
- Prazer! - Todos a cumprimentam.
- Não precisam me dizer porque vieram, eu sei. Tila, permaneça conosco, a conversa não diz respeito diretamente a você, mas você tem que estar a par do que houver. Vocês têm algum plano?
“Seu mestre parece ser um bom guerreiro, inteligente e objetivo.” Zand ouve a voz de Eve dentro de sua cabeça. “É, ele é sim.”
- Bem, já estivemos lá uma vez. - Halkond começa - Vamos nos teleportar para a entrada da caverna...
- Ela vai perceber nossa presença. - Willen retruca.
- Como assim?
- Como vocês chegaram da outra vez?
- Fomos até a entrada...
- De que forma?
- A pé, mas...
- Por isso ela não percebeu vocês.
- Ele tem razão. - Zand complementa. - Magias de teletransporte são desastradas para criaturas místicas. Elas sentem seu uso nas proximidades.
- Realmente, elas são pesadas... - Azkelph coça a cabeça. - Usam mais fluxo de mana do que a grande maioria das magias, mas dragões percebem isso?
- Percebem. - Zand confirma com autoridade, até por ter a opinião de Eve em plena concordância com sua própria.
- Então magia vai ser inútil? - Azkelph se indigna.
- Não, claro que não! - Willen responde. - Magia vai ser de absoluta importância. Vamos enfrentar uma criatura mágica, temos que ter magia do nosso lado para que o confronto seja mais equilibrado.
“Odeio magos.” Eve comenta a Zand. “Povo fresco! Agora vem esse com crise de não-sirvo-pra-nada...” Zand apenas sorri.
- Mas pelo que vejo, no caminho até o dragão devemos seguir contando só com nossa cautela, não é? - Rubi pergunta.
- Dragão?! - Tila se levanta assustada, com a mão no peito.
- Calma, minha filha... É um dragão sim. Seu pai vai vai lá com Zand e seu grupo.
- Mas pai?! Um dragão!? O senhor não está em idade desse tipo de coisa... E um dragão? É demais! Perigoso demais!
- Sabemos dos riscos, mas somos um grupo experiente, pelo que Zand falou e pelo que posso ver.
- Mas pai!
- Tila, não se incomode com seu velho... Eu já estou com os dias contados mesmo... Se eu morrer nessa missão, morro feliz. Se sobreviver, te trago um monte de presentes.
- Pai... - Ela o abraça chorando. Meio sem jeito, Willen apoia a mão nos fios loiros da filha. Dá um sorriso sem jeito para as visitas.
“Pelo que Willen falou, ela o conhece há pouco tempo, mas se apegou tanto a ele...”
- Já perdi minha mãe. Não quero perder o senhor...
- Tila... Filha, me olhe... Enxugue essas lágrimas. Você vai me perder um dia! Eu sou muito mais velho que você e essa é a lei natural. Você tem que estar preparada para a vida. Por isso venho te ensinando carpintaria... Para quando eu for embora você não ficar entregue ao mundo...
- Pai... - Ela o abraça forte.
Pouco depois, Tila vai para a cozinha, ainda chorando, preparar um jantar. Só então as discussões podem prosseguir em paz.
“O casalzinho é que vai ter que conduzir o grupo.” Eve comenta com Zand. “Nada de magias ou técnicas mirabolantes. Vocês vão ter que ir até as proximidades do esconderijo para então darem um jeito de entrar. E tudo terá que ser feito com todo cuidado para evitar chamar atenção. Ninguém melhor do que uma ladra ajudada por um bardo para fazer isso. E o Halkond também parece levar jeito para essas coisas...”
- Vamos a Erans a cavalo e de lá seguimos a pé. - Sugere Willen.
- Não Erans. - Zand rejeita a idéia. - Foi em Erans que a Knova me procurou. Ela pode nos descobrir lá. Diwed foi onde ela me deixou, então também não é uma boa idéia...
- Sobra Vigu então. - Rubi fala.
- Não é tão perto da Serra do Fogo, nem tão grande. Talvez por isso mesmo seja perfeita. - Zand concorda com a idéia.
- Então partimos para Vigu amanhã de manhã. - Willen fecha a questão.
- Tudo bem, mas todos vão ter que concordar com algo, para o sucesso da missão. - Zand fala, ao lembrar os conselhos de Eve. - Rubi e eu vamos conduzir o grupo e vocês vão ter que seguir tudo o que dissermos, pois nós entendemos – ela melhor que eu – sobre como agir com discrição, sem sermos percebidos.
O grupo concorda com a cabeça, enquanto Rubi beija Zand carinhosamente, como uma forma de agradecimento pelo reconhecimento de seus talentos e por ele se colocar ao seu lado como co-guia em busca do dragão.







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