infinnita
Onde pra sempre hei de morar

Hoje cedo publiquei por aqui nove poesias novas. Na verdade não são poesias, são letras! São nove das dez letras das músicas que compoem o projeto Onde pra sempre hei de morar, da minha banda Infinnita.
É, um projeto. Ainda não tivemos tempo nem ensaiamos o suficiente pra gravarmos bem as 10 músicas. Por falar em dez músicas, a outra que falta é Coração de Chumbo, que escrevi para a série Escarlate. E não a publiquei hoje justamente por já ter publicado aqui antes.
No site da banda vocês podem ouvir Quem dera e Nosso momento, em gravações preliminares ainda, além das dez letras reunidas em um ebook. As músicas também podem ser ouvidas no Palco MP3, no MySpace e em outros lugares. Mas acho que dá pra ter uma idéia de como a banda está ficando... Dia 13 vamos nos apresentar num evento da nossa cidade: Janela do Rock No evento participarão mais cinco bandas.
Sobre o projeto, sim, é nossa intenção gravar todas as dez e lançar como um "OpenCD", quando for possível. :-)
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Princesa de Cristal
De manhã você abre um sorriso
De manhã, antes do Sol sair
De manhã você vai para a varanda de cristal
No seu mundo, na TV
Os seus sonhos de amor
Do seu mundo só você é o que restou
Princesa de um mundo tão intenso
Princesa de um mundo que é só seu
Princesa, o reinado não existe ou te esqueceu?
As bonecas choram pelos cantos
Seu futuro pede compaixão
Da janela você vê o mundo: uma ilusão
Seu sorriso, uma canção
Seu espelho, seu Senhor
Seu jardim não tem espinhos, só uma flor
Em seus sonhos um cavalo branco
Traz seu cavaleiro da amplidão
Do castelo de cristal espera a salvação
Princesinha, tua escolha
Seu castelo de cristal
É de açúcar e as formigas o acharão
-- Cárlisson Galdino
Que Fazer?
Que fazer? Que fazer?
Se o ponteiro não aponta pra lugar nenhum... (bis)
Placas ilegíveis, mapas distorcidos
Estradas para o nada: destinos removidos
Estão todos na rua, equipados mas perdidos
Ninguém lembra a última vez que tudo fez sentido
Caminhos que prometem os lugares mais incríveis
Mas o fim da estrada nunca é visível
Só se vê cartazes e postos de combustível
Supostos paraísos totalmente inacessíveis
Anúncios e panfletos, propagandas de TV
Um mundo colorido, tão bonito de se ver
Por toda essa estrada, para confundir você
São a melhor prisão que um dia sonharam fazer
Sem bús-so-la! Sem di-re-ção!
Não há mais pra onde ir! O que essa placa diz?
Erramos no último outdoor, erramos por um tris!
O que vamos fazer? O que você me diz?
Será que há jeito nessa estrada de esquecer o que passou e ser feliz?
-- Cárlisson Galdino
Náufrago
Aqui estou novamente
Só a praia em frente
Cheiro de sal
Sol, calor
Lembro antigamente
Como era diferente
O que fui
Já não sou
Da antiga civilização
Não sinto saudade
E sei que vou
Ficar melhor
Hoje
Eu vivo nessa solidão
Surfando até o fim da tarde
Já sofri
Chorei pedindo salvação
Hoje só peço que ela atrase
E aquele dia-a-dia
De stress, de correria
No passado
Se enterrou
O sonho e a fantasia
O que eu achava que queria
Tanto faz
Era ilusão
Da antiga civilização
Não sinto saudade
E sei que vou
Ficar melhor
Pra que eu possa curtir minha ilha deserta
Não foi minha escolha, mas foi a mais certa
Hoje
Hoje
Hoje
-- Cárlisson Galdino
Imortal
Quem ouve ao longe o cavalo surgir
Nem mesmo imagina que aquele cara ali
Carrega o mundo inteiro em lembranças
Pra onde quer que vá, não importa por onde
O chão o conhece e o chama pelo nome
Um homem que anda, anda e não se cansa
Qualquer motivo é o que lhe traz
Já viu de tudo e não se satisfaz
Em seu cavalo, atento, imponente
Em todas as guerras esteve presente
Oculta a face, alegria e a triteza
Não há quem saiba como apareceu
Alguns dizem que esse homem é Deus
Ninguém conhece sua natureza
Qualquer motivo é o que lhe traz
Já viu de tudo e não se satisfaz
E ele pediu pra dizer
Que a medida do que é eterno
É tão banal quanto esconder o Sol
Daria tudo por uma morte calma
Daria tudo pra voltar atrás
Que a medida do que é infinito
Enche uma vida na mesma razão
Esfria a alma, petrifica os olhos
Transforma tudo em volta em solidão
Que a medida do que não termina
É tão normal quanto um porco voar
Que é feliz quem não tem essa sina
De ver a Vida e não poder tocar
-- Cárlisson Galdino
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