Segunda-feira, 13 de abril. Quem esperava que acontecimentos estranhos dominassem só as sextas-feiras acaba de ser contrariado. À madrugada, e isso é tudo.
Lá se encontra Marfim Cobra, quase sem força, caído ao chão. Água benta queima os mortos que se atrevem a voltar à vida. Que importa suas causas? Sua existência é um desafio às leis divinas, ao natural, e como tal deve ser combatida. A dor é insuportável. Marfim vê em sua frente apenas o líder deles, apontando uma arma para seu crânio, preparado para um tiro de misericórdia.
- Aoh Eker Joh! - um grito ecoa na noite.
Eis que diante dos guerreiros armados, materializa-se uma estátua. De humano. O grupo pára, espantado.
A estátua abre os olhos e prepara as garras. Com um sorriso sádico salta sobre alguns deles.
- Calma, amigo. A cavalaria chegou! - o grito vem dos céus. Os homens nem se atrevem a olhar para cima... Se olhassem, não gostariam de saber que estão sendo atacados por uma armadura voadora empunhando uma espada em chamas.
Dois homens perdem a cabeça, literalmente, na espada flamejante da armadura alada. Os outros, não. Dois deles não perdem a cabeça, mas um braço, uma perna, nas garras da estátua.
- Parados, sejam o que for!
O líder do pequeno exército (aliás, agora um exército de um homem) grita, enérgico, enquanto aponta a arma para a cabeça de Marfim, ainda no chão.
- Oh-oh! Isso tá com cara de problema. - fala a armadura, pousando no solo. Sua espada atinge o estado que se supõe ser o normal, sem chamas.
"As dores. Não consigo resistir. São mais fortes que eu. Terei ouvido gritos. Algo acontece. Não sei o que é, mas não parece nada bom." Pensa o paladino, inconsciente.
Um barulho metálico é ouvido. Uma arma voa, girando no ar, e cai no asfalto. Todos a acompanham visualmente.
- Mais um! - grita o líder, ao se virar e ver, próximo a ele, "mais um".
- É, mais um. - responde um vulto em cotas de malha (aquela com ligas de metal) e um elmo arredondado com aspecto de coisas aquáticas (lembra Atlântida), enquanto gira um tridente majestoso no ar. E grita. - Ketitaie Memi!
Com a ponta do tridente, espeta o estômago protegido daquele que agredia Marfim Cobra. Um disparo elétrico gera uma luz branca e o arremessa para longe.
- E você é menos um, certo?
- Definitivamente, Áquos. - responde o voador, a uma pergunta não feita exatamente a ele. - E esse é o quarto de nós?
- Creio que sim. - responde Áquos a uma pergunta feita exatamente a ele. - Certamente, Corvo, esse que temos diante de nós, caído, é a quarta Unidade de Justiça de Kin-Rá.
- Então, o que estamos esperando? Levemos nosso irmão mais novo a um local seguro. - sugere Corvo, o voador, já se dirigindo a Marfim Cobra, quando é interrompido.
- O que você chama de lugar seguro? - Ã?quos.
- Que tal uma ilha? Entre árvores? Quando estava voando, vi algo assim naquela direção...
- Parece uma boa opção. Vamos.
Eles seguem. Corvo, Áquos e, levando Marfim nos braços, o dono de um humor de pedra, Lunar. Após algum tempo de caminhada eles chegam ao local desejado.
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Marfim Cobra abre os olhos. Vê diante de si uma estátua branca de um homem de musculatura média, com mantos antigos. Tudo de pedra branca, como uma estátua qualquer.
- Onde estou? - pergunta Marfim, enquanto se ergue. Uma pergunta que soa mais como um desabafo, visto que não há ninguém que a responda. Isso é o que Marfim pensava, afinal há "só uma estátua". Ele não viu Lunar se mover.
Já é dia. Ele sabe que deveria estar no mar a essa hora. E que deveria ter se encontrado com o policial. Mas o local parece seguro, entre árvores e, além do mais...
- Na lagoa. - responde Lunar, após Marfim virar as costas.
- Quem está aí?
Ele se vira de volta bruscamente com o punhal em punho, em ataque corta o ar. O punhal deixa um rastro verde, da mesma cor das serpentes que têm nele sua origem. De energia. Quase alcançando Lunar, que saltou para trás, evitando o golpe.
- Quem é você?
- Calma, irmão. Não faça isso. - Uma voz vem do alto.
- Mas quem... - Marfim vê o Corvo parado no ar, logo acima de si. - Como assim, irmãos? - pergunta, recuando um passo e se preparando para um combate.
- Irmão, ué! Não somos todos filhos de Kin-Rá? Ou não sabia?
- Quem exatamente são vocês? - pergunta o esquelético herói, mais preocupado, e empunhando sua arma com mais força.
- Não sabe? - pergunta o Corvo. - Esperava que não nos conhecesse bem, mas não que nos desconhecesse totalmente. Nós somos Unidades de Justiça, assim como você. Convertidos. Eu sou o Corvo, aquele é Lunar e esse é Áquos.
Ele aponta para Marfim que, virando-se rapidamente, vê a Unidade que atua no mar.
- Como podem provar que estão do meu lado?
- Você acordou vivo. Você está vivo... Ainda está... Agora também... - responde o Corvo.
- Salvamos sua pele de seus inimigos e o trouxemos para cá. - responde, mais claramente, Áquos. - Se fôssemos seus inimigos, acha que teríamos feito isso?
- Supondo-se que são quem dizem, o que pretendem?
- Visto que até agora nosso glorioso deus não nos indicou nossas atuais áreas de atuação, pretendemos ficar por aqui mesmo. - responde Áquos. - Ao menos por enquanto.
- Quando lutamos? - pergunta o até então calado Lunar.
- Que tal agora? - sugere o Corvo.
- Não podemos. - responde Marfim Cobra, contrariando os dois. - Não podemos porque provocaríamos medo na população.
- Faz sentido. Como certamente esse mundo não vê magia há séculos, é lógico o medo. - Áquos segue em uma determinada direção. - É melhor nos ocultarmos.
- Aonde você vai? - pergunta Marfim Cobra.
- Ao mar.
- Eu ficarei voando até a noite. - responde o Corvo. - É meio monótono, mas vá lá, né?
Lunar gesticula que ficará naquele mesmo lugar onde estava.
- Espere! - grita Marfim. - Ao mar? Você fica submerso nas praias?
- É...
- E eu que pensei que minha idéia fosse original...
- Então venha. ...ainda não me disse seu nome.
- Marfim Cobra. Aliás, por que só eu aqui tenho dois nomes?
- Como se chamava quando vivo?
- Cobra.
- Está explicado, não tem nada de estranho. Então vamos, Marfim Cobra, antes que cheguem os homens e se assustem com nossa presença. Você não quer isso, certo?
- Certo, vamos.
Cada um faz o que pode para permanecer sem ser visto durante o dia. O dia transcorre normalmente, até chegar a noite...
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- Então aquele raio os trouxe...
- Também. Mas você deve se lembrar, Marfim Cobra, de que a Terra era habitada pela magia antigamente. Com certeza você deve ter notado que hoje em dia ela não existe.
- Certo.
- Não existia até aquele raio. O raio nada mais foi do que o sinal de seu retorno.
- Ah! Então aí estão vocês! - o Corvo se aproxima da praia, voando. Sendo seguido, em terra, por Lunar.
- Vamos começar? - pergunta Ã?quos.
Os quatro partem por ruas desertas, guiados por Marfim Cobra, sem resultado.
- Corvo, sobrevoe o lugar e, quando encontrar algo, nos comunique. - ordena Áquos.
- Falou! - exclama o Corvo, pouco antes de sair voando velozmente em uma direção qualquer.
Depois de algum tempo de caminhada, Áquos pergunta a Marfim:
- É sempre assim, tudo tão tranqüilo?
- Não costumava ser.
A rua está suja, papéis e plásticos fazem a porção limpa. Quando passam por um trecho da calçada, alguma coisa chama a atenção de Marfim Cobra. Um jornal, ou melhor, uma folha de jornal. Nela, uma foto. Uma foto das Unidades de Justiça.
- Esperem! - ordena ele, então.
- O que foi?
- Vejam só isso.
- Mas... Somos nós!
- Deixem-me ler o conteúdo. "Estamos em uma difícil situação. No último sábado, como é do conhecimento de todos, a maioria dos telejornais mostrou imagens do que seriam um gárgula, um esqueleto e dois trajes animados. Isso jamais seria mostrado em rede nacional sem os exames que comprovassem sua veracidade. Estamos em uma posição realmente difícil. O que devemos fazer? Acreditar que essas aberrações existem e percorrem nossas ruas à noite ou que não passam de fantasias criadas por uma grande empresa de efeitos especiais? É mais fácil crer na segunda versão, que se trate de simples truques cinematográficos. Pois continuo com a mesma opinião que tinha na época do 'Chupa-Cabras'. Tudo isso não deve passar de golpes publicitários. Isso lembra também a época em que se espalharam pela Internet boatos que culminaram no lançamento de um filme, como em..." - A leitura do jornal por Marfim é interrompida por um grito.
- O Corvo! - Áquos reconhece a voz de seu "irmão", pouco antes de correr em direção ao grito. - Sabia que não devia tê-lo enviado antes de nós. Ele sempre acha que pode resolver tudo sozinho!
Marfim larga o jornal e corre, acompanhando Lunar e Áquos, já alguns metros na frente. Após algumas poucas esquinas, eles chegam à origem do grito.
- Me deixa em paz! - grita um humano, no momento em que o Corvo tenta atacá-lo, com um vôo rasante.
Misteriosamente, o herói voador é arremessado para o lado, batendo em um edifício, rachando parte da parede e fazendo cair algumas pedras. Arremessado por uma força invisível.
- Aaahhh! Vocês aí, vão ficar só vendo minha desgraça? - grita o Corvo, após ver que os outros três justiceiros de Kin-Rá já estavam presentes.
Lunar parte rapidamente com as garras em posição de ataque, enquanto Ã?quos brande seu tridente partindo logo em seguida. Mas Marfim...
- O que ele fez? - pergunta, um pouco desconfiado.
- Matou, ué! Não está vendo aquele corpo ali?
Marfim se volta para a direção indicada pelo Corvo e vê um corpo, realmente. E está aparentemente morto.
Dois barulhos de pancadas consecutivos são ouvidos. Marfim Cobra e Corvo se viram para o combate. Lunar e Áquos estão no chão, antes de chegarem perto do jovem alvo.
- Nossa vez! - diz o Corvo e, sem confirmar que Marfim também vai, segue em direção ao intocável.
- Já disse pra me deixar em paz! - grita ele, enquanto o Corvo é arremessado para muito longe.
Marfim não parece dar a devida atenção ao que acontece. Ele está examinando o corpo do morto. Ele se vestia com calça jeans azul e camisa branca e tinha próximo uma faca. Mais afastado, há um revólver.
- Esperem! - grita Marfim Cobra. - Vocês já perguntaram por que ele o matou?
- Não. - afirma Corvo, retornando do lugar da queda. - Por que você o matou?
- Ele tentou me assaltar. Me deixem em paz! - responde e grita, arremessando o Corvo para o lado sem sequer encostar nele um dedo, e fugindo em seguida. Áquos e Lunar se preparam para perseguí-lo.
- Deixem-no ir. Foi em defesa própria.
De repente, ouve-se sons de sirene. A polícia está chegando, junto com a imprensa. Eles nem perceberam, mas ao seu redor, desde o primeiro grito do Corvo, formou-se um pequeno público. De princípio, colocavam os rostos para fora, curiosos, mas com medo. Agora, uns impulsivos arriscam até um grito satisfeito com a conclusão de Marfim.
Ao notar a aproximação dos automóveis, as três Unidades de Justiça correm. O Corvo já não é mais visto. Os carros perseguem os fugitivos por terra. Na primeira encruzilhada...
- Vamos nos dividir!
Ele segue em frente, enquanto Marfim toma a direita e Lunar a esquerda. A polícia segue Áquos. Ele é o único que, visivelmente falando, poderia ocultar um humano. Afinal, quem seria louco de perseguir uma estátua ou um esqueleto?
- Vamos atrás do esqueleto! - grita eufórico um repórter ao motorista.
- Não adianta. A matéria do século é nossa! - grita o repórter do outro carro, do concorrente ao anterior. E se vira para o motorista. - Vamos atrás da estátua. Ou ele é nosso ou você está demitido.
Os três correm, agora separados.
Lunar não consegue esconder a raiva. A ira por estar sendo perseguido. Ele corre, pois sabe que lutar seria pior, já que os perseguidores não são criminosos... ou são? Na dúvida, melhor tomar a atitude que, caso errada, prejudique menos. Em outras palavras, melhor continuar correndo. E ele corre, corre e...
- Pula! - ouve a voz do Corvo vindo de cima. Claro que ele obedece. Ao fazê-lo, Corvo o pega pelos braços e, com esforço, sobe lentamente. - Você devia perder uns quilos. Lascar essa gordura... Você pesa!!
O carro freia e, antes de desacelerar totalmente, o repórter o abandona, olhando para cima, vendo apenas dois pontos minúsculos no céu.
- Maldição! - grita, socando o ar. Depois de algum tempo, volta para o veículo. - E aí, pegou alguma coisa?
- Um pouco falho, o resgate. - responde o fotógrafo.
- Tudo bem, tem que servir.
Enquanto isso, no outro extremo da rua, Marfim Cobra corre em passos longos. O automóvel não abandona a caça. Em determinado momento, cansado disso tudo, o herói pára, volta-se para o carro, segura seu punhal com o gume para baixo e grita.
- Inchinmy Ejoda!
O punhal das serpentes, rodeado por energia verde, lança dois relâmpagos dessa mesma energia no chão, próximo a Marfim. Cada um deles forma uma serpente verde de energia. Mas não parece igual à serpente padrão que formava antes. Parece mais densa.
O carro pára, diante disso. O fotógrafo sai, e anda um pouco tirando fotos e se aproximando. Mas está distante. Distante o suficiente para não representar uma ameaça a Marfim.
- Ataquem! - grita. Ele sabe que não pode atacar inocentes, que está em dívida com Kin-Rá.
As serpentes partem velozmente e atacam. ...os pneus. Sem perseguidores, Marfim segue deixando aos repórteres apenas algumas fotos das serpentes de energia.
- Ele está indo pro mar! - grita um policial, preparando sua pistola. - Temos que pegá-lo logo.
Os outros também sacam suas armas, dentro do carro. Estão muito próximos do oceano.
Áquos corre. Seus pés já pisam a água rasa. Ele salta. Os policiais atiram. Um disparo acerta o tridente. Os outros erram. Áquos cai em uma parte mais funda e é tomado pelas águas salgadas. Os policiais perderam a única chance de acertá-lo. Contrariados, após olharem o mar esperançosos pela volta da caça, eles se retiram sem que cumpram sua missão. Pois já é tarde.
É cedo da noite. As Unidades poderiam atuar na cidade por algumas horas mais, porém, como há coisas que não podem ser previstas ou evitadas, lá estão eles, separados, impedidos de agir. Boa parte da cidade não mais conseguirá dormir, esperando a chance de ver os seres estranhos de que tanto falam.
Marfim Cobra não voltou ao mar como de costume. Foi ao ponto de encontro esperar pelo policial, até pouco tempo atrás seu único aliado. Com o tempo ele aparece.
- Ainda bem que você está aqui. Tenho novidades.
- O quê?
- Uma seita está ameaçando a ordem. Cultuam um deus...
- Sabe qual?
- É um com "f". Não lembro bem...
- Não é Fimiq, é?
- Isso!
- Diga-me imediatamente onde estão. O problema é mais grave do que você imaginava.
O policial transmite todas as informações que tem e Marfim parte em direção ao mar. Pretende encontrar Áquos e falar sobre o perigo enorme que os cerca. Ele sabe quem é Fimiq. Conhece-o o suficiente para saber que deve reunir as unidades o quanto antes. Fimiq prega a destruição dos traços políticos, o fim do comércio, a inexistência de qualquer traço que sirva para estabilizar as relações humanas. É algo terrível. Marfim se lembra disso. Mesmo para um ladrão isso é prejudicial. A verdade é que Fimiq odeia os humanos e usa essa estratégia: seus sacerdotes provocam o caos e, quando há um grande foco de desordem, ele vem à Terra destruir os homens pessoalmente e dá poder ao mal que já se foi. Isso é dito nas lendas, pelo menos nas lendas dos tempos de Marfim.
- Resolver isso é primordial, mas... E quanto aos policiais e jornalistas que certamente nos esperam? - Pergunta Áuos. Já é noite e eles discutem o que fazer.
- Já sei. Tive uma idéia. - continua ele. - Corvo atrai a atenção de todos no outro lado da cidade, enquanto partimos ao encontro dos malditos seguidores de Fimiq.
- Boa idéia. Que tal usá-la agora?
- É exatamente o que faremos.
Após contactar e reunir todo o grupo, ele ordena que o Corvo chame a atenção. O que fará com facilidade, com certeza. Enquanto isso, os outros vão em busca da seita.
Enquanto o Corvo exibe seus poderes aos policiais e à imprensa, ao outro lado da cidade vai o grupo formado pelos três restantes. Após fazer algumas curvas e, principalmente, correr bastante, chegam ao local onde se espera que seja o centro dos Fimiqs: um terreno protegido apenas por um muro.
Um pontapé faz a porta de madeira apodrecida em mil pedaços. Áquos, Marfim e Lunar entram. Eles vêem apenas um terreno escuro, irradiando morte de suas gramas e matos. No centro há um semi-deserto circular. Eles se aproximam.
Um braço com uma adaga surge repentinamente atrás de Marfim, vindo das sombras. Sem se intimidar, Marfim, por puro reflexo, aplica uma cotovelada no ingênuo inimigo. Mais dois aparecem.
- Inchinmy Ejoda! - Grita Marfim Cobra, com seu punhal firmemente seguro. O fenômeno se repete. O punhal cria, em torno de seu gume, uma energia verde, lembrando fogo. Então, dispara dois relâmpagos: um à direita e outro à esquerda de Marfim. Cada relâmpago cria uma serpente de pura energia. Elas imediatamente atacam os dois vultos que mal abandonaram as sombras. Eles queimam após sofrerem o ataque. Queimam em chamas verdes. Isso jamais aconteceu antes com humanos. Ou o poder de Marfim Cobra foi brutalmente amplificado, ou seus inimigos não são humanos.
Um braço erguendo uma adaga surge de trás de Lunar. Marfim vê e começa a concentrar energia. Energia para seu poderoso golpe. - Lunar percebe e se vira. - Seus braços faíscam ferozmente. - Lunar arranca os braços do inimigo com suas afiadas garras. - Ele ergue o braço e aponta para o inimigo. - Lunar arranca agora a cabeça do seguidor de Fimiq. - E dispara. Uma majestosa serpente branca, de energia, voa rapidamente ao encontro do corpo sem cabeça e braços, iluminando todo o caminho com a luz ofuscante de um raio. Ela envolve totalmente o corpo morto do alvo. O corpo encasulado cai, mas antes de tocar o solo, some.
- Por que você fez isso? - pergunta Áquos.
- Não era possível cancelar o ataque. - responde Marfim, mas logo muda de assunto. - Parece que chegamos tarde.
- ...ou cedo. - Áquos. - Só haviam três aqui. Eles saíram e os três eram só vigias, zumbis.
- O quê?
- Eles são zumbis.
- Tem certeza?
- Claro que tenho. Eu sei muito bem quando enfrento um.
- Zumbis, então...
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Eles voltam para as sombras, pois sabem que a essa altura todos já devem estar a sua procura. E o Corvo? Que terá acontecido com ele? Os três retornam, mas Marfim passa no ponto de encontro com o humano com o qual se comunica periodicamente. E eles se encontram pela manhã.
- Olá! Tem novidades? Eu tenho.
- A novidade é que lutamos contra três corpos animados pela maldita praga de Fimiq.
- A minha notícia é mais quente, mas, juntando com a sua, vai dar uma dor de cabeça... Bom, andei pesquisando sobre esse tal Fimiq e descobri três outras cidades onde existem possíveis seguidores seus.
- Como? Ataque múltiplo?
- É o que parece. Uma delas é Tóquio. Não sei onde ficam, mas já sabotaram algumas coisas por lá, provocando algumas mortes. Nos Estados Unidos, descobri que há um grupo terrorista conhecido como Fimiq. Atua em New York e Los Angeles, mas também não sei onde ficam. A outra fica na Alemanha. É uma cidade pequena, mas não me lembro do nome. Acho que anotei em algum lugar...
- Obrigado pela informação. Já é o bastante. Sinto ter que ir, mas é bem pior do que possa imaginar. Até mais.
- Até.
Marfim Cobra corre para as águas frias. Ele sabe o que está para acontecer. Não são só ataques. Esta é apenas a ponta do iceberg. No anoitecer seguinte, na reunião da equipe, passa as novidades.
- É o primeiro sinal para nossa partida. - Comenta Ã?quos.
- Como? - Marfim.
- Devemos partir.
- Mas, é o primeiro. Não virão outros?
- Os outros servirão para nos levar ao nosso destino. Esperam-nos no caminho.
- Bom, e quando vão?
- Agora. - Áquos corre de volta ao mar, enquanto o Corvo levanta vôo e Lunar corre em passos largos.
- Adeus. - Fala Marfim Cobra. "Espero que a gente se encontre de novo algum dia."
Marfim segue de novo sozinho, lutando contra as injustiças e fugindo da imprensa. Exceto pela persistência da imprensa, todas as noites se tornam iguais. Como moedas de um mesmo valor: algumas mais frias, algumas mais úmidas, mas todas iguais.





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