Cretense

Você é o parafuso que corrói as minhas chaves
Você é uma lembrança que devora o meu juízo
Você é Pandora louca, solta o mal num grande riso
Você é o escorpião que persiste em me ferroar
Você é foice encontrada no chão em briga de bar
Você é uma bigorna, um piano ou uma espada
Que me acerta a cabeça quando desço toda a escada

Você é o labirinto, om seu brilho e seu perigo
Você é a borboleta que entra pela janela
Pela porta vai embora sem que eu mal olhe pra ela
Você é a biosfera dentro do meu guarda-roupa
Você é a mosca verde dançando na minha sopa
Você é justiça cega e sem nada de audição
Sempre vem me impor castigos sem que eu saiba a acusação

Você é a voz tão doce que me anima e me destrói
Você é gato dormindo onde tropeço sem querer
Você é a hipnose que me congela ao te ver
Você é um livro aberto, mas escrito em Latim
Você é rosa de espinhos que se engraçaram por mim
Você é atriz centrada, encenando a despedida
Protagonizando a tragi-comédia da minha vida

-- Cárlisson Galdino


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