soneto

Mensagens de Amor

Garrafa

Você consegue ver que armadilhas?
São grilhões que eu mesmo construí
Feitos sob a mais perfeita medida
Pra proteger meu coração de ti

E como um náufrago, só, numa ilha
Muito além de onde se podia ouvir
Viveu meu coração (se é que isso é vida)
Numa prisão sem meios pra fugir

Assim meu coração, que naufragou
Sem barco viu como única opção
Encher o mar de mensagens de amor

Garrafas e garrafas à exaustão
E o sonho que uma chegue, uma que for!
À ilh' onde vive, só, teu coração

-- Cárlisson Galdino

P.S.: Imagem original de markflemingphoto

Sermão para Eros

Arco e Flechas

Ó Eros, desce aqui, faz uma força
Que te procuro tanto tempo atrás
Não é bem que nossas vidas distorça
Pára com isso, não agüento mais

Eros, me dá o arco e agora ouça
Te ensino agora como é que se faz
Atire a flecha d'ouro nessa moça
Agora, outra da mesma no rapaz

Veja, meu caro, sem dificuldade
Basta apenas que preste atenção
E lance as flechas sempre, sempre aos pares

Mas caso assim não aja por maldade
Com flecha para um, a outra não
Maldito seja tu, por onde andares!

-- Cárlisson Galdino

P.S.: Foto original de dewet.

Retrato no Porão

Na parede o retrato a pouca luz
Ri das plásticas, ri da hipocrisia
Ri das máscaras, ri da fantasia
Ri do mundo letal que te seduz

Que lá fora teu rosto e olhos nús
Sempre ostentam perfeita harmonia
Sempre ostentam pureza, noite e dia
Que teus atos por si não fazem jus

Em teus lábios, o crime e o insensato
Se camuflam em voz de nobre jeito
Ilusórias virtudes, não de fato

Mas por mais que contra isso tenhas feito
Haverá no porão sempre o retrato
Te expondo em podridão, cada defeito

-- Cárlisson Galdino

P. S.: Soneto inspirado na obra O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde

A Luta Final

Samurai

Preparado todo o arsenal
A coragem na ponta da espada
E à espera apenas de um sinal
Vê a arena quase que lotada

O inimigo tem força animal
Mas não se desistirá por nada
Se é forte o temeroso rival
Que maior força seja encontrada

Às vezes nenhuma jóia rara
O nosso destino nos separa
E não conta o quanto se garimpa

Mas se luta ainda assim, com raça
Pois a luta não é pela taça
E sim pela consciência limpa

-- Cárlisson Galdino

P.S.: Foto original de bergie.

Soldados Mirins

Ele toma a arma em suas mãos
E quase não pode carregá-la
Mas existe uma chuva de balas
Vai à guerra, é pouca a munição

Dedo no gatilho e o soldado
Vê e teme um futuro medonho
Já não traz consigo nenhum sonho
Esqueceu como era no passado

Quase derrubando a carabina
Mesmo assim, entre minas avança
Entre tiros, o Sol o fascina

E lembra brinquedos, esperanças
Quando a guerra o despede nu'a mina
Mas prossegue com outras crianças

-- Cárlisson Galdino 

Bardo

BR AL Arr
Sou Cárlisson Galdino, da Terra dos Marechais. Seja bem-vindo ao meu lar. Aqui você encontra Opinião e Arte. Use o menu no topo da página.

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