soneto

O Giro da Roleta

Ele segue com seu cavalo
Através das ruas noturnas
Se dirige logo ao cassino
Ninguém mais podia ajudá-lo

E aposta algumas moedas
E mais outras logo depois
Mas por mais que ele tentasse
Perdia o que era apostado

Porém o que era apostado
Era quase nada até que
Apostou tudo o que restava

Via-se a roleta girar
E por amparo ou traição
Um golpe de sorte ou azar

-- Cárlisson Galdino


Ansiedade

Há algo errado
Numa viagem comum
Não foi nada natural
O tempo ficou parado

Há algo errado
Tudo que nunca se via
A paisagem verde e anil
Era uma fotografia

Há algo errado
É sua ansiedade
Por deixar o seu passado

Por rixa ou necessidade
Mesmo sentindo algo errado
Ele alcança a cidade

-- Cárlisson Galdino


Balas de Prata

Numa mansão abandonada
Já sabe o que vai encontrar
Mas como já não teme nada
Ainda assim ousa enfrentar

A besta de seus pesadelos
Que destruira a sua vida
Nada mais poderá detê-lo
Vingança quer ser conseguida

Já transpôs os portões com toda
Precaução e cruzou a mata
No castelo a fera se esconde

Na arma seis balas de prata
Ao vê-la dispara seis balas
Se some pelas balas ratas

-- Cárlisson Galdino


Trégua

Apossa-se mais uma vez
Da grana que não lhe pertence
E foge assim sem se importar
Se o seu time perde ou se vence

O dinheiro veio por roubo
E agora será diferente
Ele paga caro um eqüino
E se vai dali velozmente

Montanhas, florestas e pontes
Percorre sobre sua égua
Só pára pra deixar uns contos

Após uns milhares de léguas
Vê a cidade de seus sonhos
E as nuvens armadas dão trégua

-- Cárlisson Galdino


A Terceira Bala

Todos tentam disparar e nada
Nada sai e resolvem lutar
Pelas armas deixaram espadas
Terá que ser ao modo vulgar

E com fúria fazem a peleja
Com seus punhos, braços e suas pernas
As de mesa, frascos de cerveja
Destruindo assim toda a taverna

Mas o líder de novo atingido
Pelo além pra ir sem despedida
Uma chance de mudar a vida

Mas o líder sequer dá ouvidos
A bala tenta na terceira vez
É dessa vez uma bala perdida

-- Cárlisson Galdino


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