redondilhas maiores

Não adianta galopar se o cavalo já morreu

Cavalo morto
A gente planeja a vida
Mas a vida faz seus planos
E nos arma desenganos
E nos deixa sem saída
Sem saber o que ocoreu
Temos que recomeçar
Não adianta galopar
Se o cavalo já morreu

Quando a queda vem ligeiro
Nos sentimos idiotas
Mas aceitar a derrota
Faz parte de ser guerreiro
Aceitar que já perdeu
Pra nova guerra ganhar
Não adianta galopar
Se o cavalo já morreu

O cavalo vem correndo
E tem medo de parar
Teme a morte lhe alcançar
Pois sabe que está morrendo
Mas a morte já venceu
Não tem jeito de enrolar
Não adianta galopar
Se o cavalo já morreu

-- Cárlisson Galdino

Foto original de Napalm filled tires.

Peixe-boi no Deserto

Já fui ao fundo do abismo
E quase sobrevivi
Já estive junto aos deuses
Lá era como é aqui
Já vi futuro e passado
Só no meu quarto sentado
Quase de tudo já vi

Já me perdi numa reta
Desentortei a estrada
Já fui senhor de um reinado
Já lutei só e sem nada
Já aplaquei dois rivais
Já ganhei Nobel da Paz
Já forjei mi'a própria espada

Já enfrentei pesadelos
Já tive noites tão boas
Já criei mundos imensos
Criei seres e pessoas
Já protegi navegantes
Com raiva, noutros instantes
Já destruí mil canoas

Já forjei versos sublimes
Fiz do comum, diferente
Já expliquei pra transeuntes
O que quase não se entende
Fiz dormir feras astrais
Já acalmei vendavais
Fiz revidar quem se rende

Mas de que vale o poder
De com uma simples canção
O Sol ao dia trazer
[O] que posso ou fiz é em vão
Sou peixe-boi no deserto
Se no mundo de concreto
Não estou no teu coração

-- Cárlisson Galdino

Espelho

Vá pra frente do seu espelho
Para o seu querido mundo
O que você sempre quis
O que sempre te orgulhou
Ao olhar para este vidro
Não era apenas você
Tua imagem sempre fui eu

Vá pra frente do seu espelho
Do outro lado eu também vi
Os meus sonhos mais perfeitos
O que sempre procurei
Meus castelos colossais
Pensando ser eu, mas sei
Que o que eu via era você

Vá pra frente do seu espelho
Onde dois mundos se juntam
Nele há um novo rosto
Não o mesmo de quem olha
Nas diferenças, tão poucas
Somos de mundos iguais
Somos a imagem um do outro

-- Cárlisson Galdino

Fator X

Fator X

Já quis que fosse o perfume
Que vem tão doce de ti
Que o vento ao te ver assume
Cores que nunca antes vi

Desejei fosse o olhar
Seu que me mete em apuros
Mas se é capaz de pasar
Os óculos mais escuros

Não é somente beleza,
Os gestos, cores da veste
Teu cheiro, esse rosto lindo

Minha única certeza
É que em você resplandece
O que não vejo, mas sinto

-- Cárlisson Galdino 

O Charlatão

Quando tocarem canções
Jurando, feitas pra ti
Me plagiam sem vergonha
Pra ti são todas que fiz

Não ligue pra alguém que diz
Que à noite contigo sonha
Só pensa em se divertir
A noite é das ilusões

Se lhe jurarem paixões
Pode crer que esse alguém mente
Se diz te amar mais que eu

Ouça e veja se entendeu
Só eu te amo totalmente
Não aceite imitações

-- Cárlisson Galdino 

Bardo

BR AL Arr
Sou Cárlisson Galdino, da Terra dos Marechais. Seja bem-vindo ao meu lar. Aqui você encontra Opinião e Arte. Use o menu no topo da página.

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