heterométricos
Tristeza na Festa (v.2)
O povo agora berra
Ao grande vencedor
Que matou sem temor
Seu parceiro de guerra
Seu único aliado
Morto por suas mãos
Eram como irmãos
Hoje está acabado
Torcedores radicais
Comemoram pelas ruas
A morte de alguém por trás
Só restam tristezas suas
E sua arma não quer mais
E o rio agora tem duas
-- Cárlisson Galdino
Cárcere da Arte
Você pelas margens do meu caderno
Não te quero
Em juras e loucuras sem sentido
Como uma musa d'além desse mar
Você Deusa de um mundo de poesias
Não te quero
Recriada por mim para o planeta
Não te quero Garota de Ipanema
Você espalhada à toa em minha agenda
Não te quero
Salta logo do Cárcere da Arte!
Teu lugar é aqui perto de mim
-- Cárlisson Galdino
Palavra de Poder
Tuas palavras sempre me transformam
Como substâncias químicas num caldeirão
Reações tantas sob a superfície
Entre traumas e lampejos de compreensão
E passo os dias nessa estranha forma
Induzida involuntária de evolução
-- Cárlisson Galdino
Quando Acabar a Anestesia
Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando o Futuro te virar as costas?
Não há mais farras
Não há mais planos
Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando não houver mais programação
Nada no rádio
Ou televisão
Oh, meu amigo, o que irás fazer
Sem futebol, encontros, videogames
Sem Internet
Livros de história
Quando não houver mais anestesia
O mundo de que foges se abrirá
Com as frustrações
O que fará?
-- Cárlisson Galdino
Tal qual um lobo
Se acaso virem uma deusa de olhos castanhos-verde-mar,
princesa da Água e do Ar,
dançando como árabe noite adentro
ao som da chuva e do vento,
com a Lua na mão como um leque,
digam-lhe na língua dos deuses, dos homens do oeste
- ou na língua que quiserem! -
que meu coração é seu.
Eu sou o andarilho do Sol escaldante e da noite sem fim.
Sou aquele que reúne a sabedoria dos tempos,
enquanto vaga pelo mundo em busca da própria sabedoria.
Sou o poeta da dor insuportável e da inesquecível alegria,
o poeta do que precisa ser dito.
Sou o cavaleiro da Terra e do Fogo,
irmão de Apolo, Febo ou Musageta,
que luta sem armas, só com o coração.
Simplesmente sou o Bardo.
O Bardo que, tal qual um lobo que uiva nas montanhas hostis,
se rendeu ao brilho de uma deusa,
que o olha dentre as estrelas...
-- Cárlisson Galdino
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