quadras

Condução

Às vezes as balas tomam alguém
E esse alguém segue o que elas queriam
Chegando ao final previsto, porém
Sem transformar os que as conduziam

Quando essas balas de fuzil o ferem
Há que fazer o que elas 'tão querendo
Porém não basta chegar ao que querem
Há que se ver as forças o movendo

-- Cárlisson Galdino


Bala Achada (v.2)

Abandona o fuzil
Uma bala veloz
Enquanto escuta a voz
De um guarda do Brasil

E passa de raspão
Por um pobre rapaz
Um que não robou, mas
Chamaram de ladrão

Atravessa a vidraça
Da loja do culpado
Que acusou o coitado
Mas pela loja passa

Por pouco, muito pouco
Não fica em um drogado
E num aposentado
E em um velho louco

Terminou enterrada
Em um trabalhador
Que hoje não trabalhou
Por causa do horóscopo

-- Cárlisson Galdino


O Soldado

Voltou o soldado
Ao campo minado
Na nova batalha
De novo metralha

Pela catarata
Do topo da mata
Mata quem tentou
Lutar e fracassou

As bombas explodem
Acertá-lo podem
Mas ele não pára
Na tropa dispara

Metia a cara
De coragem rara
Mas a morte lhe riu
Por seu próprio fuzil

-- Cárlisson Galdino


Futuro Impróprio

Futuro Impróprio
Um dia a gente endoida
Talvez por ser preciso
Ou por prazer, quem sabe
Ou então cria juízo

Um dia acaba o medo
E surge algo melhor
E o mundo em desespero
É que viverá só

Um dia tudo muda
E um sonho em procissão
Virá de estrela em estrela
Tentando achar o chão

Um dia o Sol não nasce
Nem pense em acordar
Duas noites se abraçam
Sem dia a atrapalhar

-- Cárlisson Galdino

Foto original de dougtone.


Jaqueline

Eu conheço esses traços, teu sorriso discreto
Cabelos cacheados, castanhos, até o ombro
Vestido verde claro, eu conheço esse rosto
No futuro ou passado, já te vi, não sei como

Carregando uma história de carinho e cuidado
Sorri com seus dois anos, um riso puro e belo
Mas quando que te vi? No futuro ou passado?
Se és do ontem, me encontre; se és do amanhã, te espero

-- Cárlisson Galdino

Uma visão que tive dia 16 de setembro de 2008, de alguém que nunca vi, mas que tinha traços muito familiares. Uma menina de dois ou três anos de idade, de cabelos castanhos claros em cachinhos até os ombros. Ela usava um vestido verde claro e sorria. Havia uma sensação de vínculo forte. Pode ser só uma lembrança de algum filme ou algo do tipo, mas acho difícil, até porque minha memória visual é péssima pra qualquer coisa. Se era uma visão mesmo, não sei se diz respeito ao passado de alguém ou ao futuro (uma filha que terei?). Só sei que seu nome era Jaqueline.


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