quadras

Tão Longe, Tão Perto

Já não posso mais viver de tanta falta de você
Por quê que você não volta pra bem pertinho de mim?
Minha vida é incompleta, nada agora faz sentido
Ah, meu amor, volte logo senão vou eu te buscar! :-)

Esse tempo que não passa e você aqui em casa...
Quando é que vai embora? Se quiser, te deixo lá
Minha filha, dá um tempo, já cansei da sua cara
Já matei foi mais saudade do que tinha pra matar

Minha linda, há tanto tempo quero tanto ver você...
Penso em você toda hora desde que você partiu
Volta logo pros meus braços, sem você tudo é vazio
Não fique aí pelo mundo, seu lugar é bem aqui

Olha só, te quero muito, mas já faz uma semana!
Não agüento mais suas crises, sua voz e seus xiliques
Nós não nascemos colados! Vai embora, pois senão
Ou te mato ou a mim mesmo pra poder viver em paz!

-- Cárlisson Galdino

No Meio do Caminho

Pedra

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Alguns passavam e gostava dessa pedra
Mas ela não saía daquele lugar

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Causando surpresas, dores e alegrias
No meio do caminho

E todo aquele de que ela gostava
Tentava quebrá-la em mil pedacinhos
Para ser mais fácil transportá-la
Mas ia embora ao tirar uns pedaços

No meio do caminho tinha uma pedra
E nessa pedra eu quero acampar
Por toda a vida no mesmo lugar
Se não puder carregá-la comigo

No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra no meio do caminho
Podemos ter um futuro tão lindo
E uma casa cheia de pedrinhas

Tinha uma pedra no meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
Tinha uma pedra
E eu me apaixonei por ela

-- Cárlisson Galdino

P.S.: Foto que ilustra o post é de aixcracker.

P.S.2: Inspirado em Drummond e, claro, na pedra.

Quando Acabar a Anestesia

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando o Futuro te virar as costas?
Não há mais farras
Não há mais planos

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Quando não houver mais programação
Nada no rádio
Ou televisão

Oh, meu amigo, o que irás fazer
Sem futebol, encontros, videogames
Sem Internet
Livros de história

Quando não houver mais anestesia
O mundo de que foges se abrirá
Com as frustrações
O que fará?

-- Cárlisson Galdino 

Luz do Sol

Luz do Sol

O Sol do céu despeja os seus raios sobre nós
Uma nascente-estrela que em teus olhos faz a foz
Mas como pode ser desses teus olhos serem sós
Se essa correnteza é forte e leva sempre a vós?

E arrogantemente, à noite, a Lua brilha falha
Mas ninguém, se estás perto, nota nem se ela trabalha
Pois os teus olhos brilham mais que seu fogo de palha
O Sol te deu a luz, a Lua só catou migalha

E quão cruel destino a esse infeliz os deuses dão!
De só sonhar contigo sem nem te tocar a mão!
Não posso competir co'Apolo por teu coração
Tento com poesia enquanto ele não faz canção

-- Cárlisson Galdino
Foto: sunsets for you, Flickr

Além da sua Janela

Um emblemático pé de gnomo
E um dragão verde
Dois cometas se cruzam lá no céu
O que é real?

Dizem que o dragão verde vem do espaço
Mas e o gnomo?
Por entre as plantas sempre tem quem viu
E ainda vêem

Há quem não acredite nessas coisas
Prefiram outras
Mas caixas pretas só são úteis quando
Há um acidente

O certo é que há um mundo gigantesco
Ao nosso alcance
Além da sua janela na varanda
É só sair

E há dragões, gnomes, índios, lobos?
Bem podem ter
Há quem diz conviver com esses e outros
Quer não tentar?

Além de todo esse estranho alvoroço
Só sei que estou
Em meu castelo na torre espiral
Vivendo em paz

E além de tudo isso que é ficção
Eu vejo um panda
Eu vos garanto que pandas existem
Bem, por enquanto...

-- Cárlisson Galdino

Bardo

BR AL Arr
Sou Cárlisson Galdino, da Terra dos Marechais. Seja bem-vindo ao meu lar. Aqui você encontra Opinião e Arte. Use o menu no topo da página.

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