alexandrinos

Ironia

Quanta ironia a vida pode nos trazer?
A roda da fortuna gira e até parece
Que toda vez voltamos ao mesmo lugar...
Tudo é tão triste nesse mundo desumano
Tudo é tão frio, egoísta, tão insano
É a realidade com o açoite a nos bater

Porém enquanto os deuses nos abençoarem
Enquanto houver o Sol tão quente e acolhedor
Enquanto a Lua nos sorrir com sua magia
Enquanto ali no fundo ainda formos crianças
Não deixará nunca de existir esperança
E é esta a mensagem para nós por esses dias

A história que começa como a anterior
Não é um mal sinal, é presente dos deuses
Pra podermos fazê-la como se sonhou
Pois essa é a história que nós vamos construir
Afinal todo conto de fadas começa
No mesmo mote que nos diz: "Era uma vez..."

-- Cárlisson Galdino

Os Três

Nem sempre se defende um golpe indefensável
O escudo mais potente sem sempre resolve
No braço do guerreiro bravo em roupa bronze
Se torna o madeiroso escudo o mais perfeito

Nem sempre se resiste a um golpe indefensável
O de maior vigor nem sempre sobrevive
A força, o destemor, ao vasculhar o longe
Prefere não olhar a lança do inimigo

Nem sempre se desfere um golpe indefensável
Mas não por medo e sim por ser "normal" e estável
A força já não basta pra vencer a luta

Os três hão de vagar por essa terra inculta
E poder contemplar a humana natureza
E ver que toda força vem de uma fraqueza

-- Cárlisson Galdino

Ali é Nação

Uma tela de plasma encara um certo rosto
Lhe mostrando agora as notícias mais recentes
São coisas tão bonitas quanto inexistentes
Não se vê vícios, asma, nele nesse agosto

Um frio inesperado um certo vulto ataca
Mas que ar condicionado? É chuva de verdade!
Elevando a doença à fome e à idade
Derrubando o mendigo: sua força é fraca

Correios, jogos, coisas prendem a atenção
O ar baixa a potência: não nota, decerto
Agora ele conversa com toda a nação

O mendigo se ergue, vendo seu fim perto
Olha para a mansão, sob o som de um trovão
Pede a última ajuda com o abraço aberto

-- Cárlisson Galdino

A Arma

Sozinhos, tão distantes desde antiga data
Amor, Saudade e Sonho vêm e quem diria?
Às vezes trazem Dor; em outras, Alegria
Mas sempre vem uma outra e sempre nos maltrata

Qual uma ave trancada em gaiola de prata
Tristeza indesejada quem faz companhia
Sarcástica, tortura a gente noite e dia
Aos poucos, se deixamos, nos machuca e mata

É quando somos tidos por nossa Quimera
É quando nos insiste em recordar alguém
Não temos muitas chances de enfrentar a fera

É a solução cantar contra as dores que vêm
Nos dias em que cantar é a forma mais sincera
De mentir pra si mesmo que está tudo bem

-- Cárlisson Galdino

O Poeta

Camões

Ainda que pouca a força, essa me bastaria
Pra a arte concertar em dias de vis ventos
Para que lembrem que não existe som igual
Ao da arte verdadeira, por isso que venho

Pois já faz tempo que abandonaram o engenho
Deixaram o saber pelo que é incidental
Porém não se admite que esses pensamentos
Dispersos numa folha sejam poesia

Talvez se houvesse força e sublime magia
Em meus versos então, de um forma direta
Pudesse em quem os visse despertar a arte

Mas como para tal me falta grande parte
Quiçá ainda apareça um sublime poeta
Que traga vida nova à nossa poesia

-- Cárlisson Galdino

Bardo

BR AL Arr
Sou Cárlisson Galdino, da Terra dos Marechais. Seja bem-vindo ao meu lar. Aqui você encontra Opinião e Arte. Use o menu no topo da página.

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