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Série de contos encadeados inspirados em Anime

Escarlate II #17 - Ey Dlir

Escarlate II #17 - Ey Dlir

“O que foi agora?”

“Chegamos a Ey Dlir, Eve.”

“E daí?”

“Daí que vou descer. E como você é o que tenho de mais precioso no momento, vou levar você comigo.”

“Ora...”

Pelo tom de voz, Eve está bem surpresa com a declaração. Eles não falam mais e o barco na verdade já parou. Zand a pega e vai para fora, juntando-se ao grupo.

Em pouco tempo, estão lá na antiga capital de Wimow. A capital que antecedeu Ey Vudeon. É quase meio dia e dessa vez o pirata Phri foi que ficou tomando conta da Diabo M.

É uma cidade plana e pouco depois das praias eles alcançam a feira de Ey Dlir. Uma cidade cheia de pessoas simples e alguns cumprimentam Ched e companhia enquanto passam pelas barracas da feira. E é justamente nesta feira que encontram o Bar de Weax. Não passa de um galpão enorme onde várias mesas fazem um bar/restaurante e no primeiro e segundo andar, os quartos.

“Essa cidade não mudou nada.”

Eve deixa escapar, enquanto o grupo se senta a uma mesa, de frente ao caos da feira. Barracas de roupas.

- Não é perigoso o Xovi ficar sozinho no barco? - É o outro Phri que fala, o Phri Croan.

- Perigoso por quê, cara? - Been pergunta, com desdém. - Tem a molecada lá com ele e ele é competente pra dar conta de qualquer bronca.

- Não falo sobre isso. E se ele quiser ir embora com a Diabo M?

- Ah, faça-me o favor...

- O que você sabe, que está escondendo? - Ched se debruça para ouvir melhor, preocupado.

- Nada não, só estava pensando... O cara é do mar há muito tempo e...

- ...e nada, sapo velho, o Phri não ia fazer isso com a gente não. - Uglu fala. - Tá maluco?

- Como pode ter certeza?

- Se ele fizer besteira, a gente vai atrás dele e lhe arranca o couro! - Di completa e cumprimenta o irmão, animados com a resposta conjunta.

- Liga não. - Breig, que estava sentado ao lado de Zand, comenta com ele. - Phri Croan é assim mesmo, de vez em quando. Quer dizer, nunca o vi ser tão direto sobre uma suspeita, mas também não surpreende.

Ched e Phri continuan discutindo.

- Nem se importe muito com isso. Já viu como o Ched é meio paranóico, com todo o respeito. Vai querer apurar o fato e vai levar uns dias até se convencer de que não tem com o que se preocupar, que foi alarme falso.

O bárbaro bate no braço de Breig para lhe chamar atenção e então gesticula alguma pergunta.

- Ah, pedimos peixe e porco. Deve chegar já. - E Breig se vira novamente para Zand. - O bom é que a gente chegou cedo. Vamos poder dar uma volta na feira, que já já começa a terminar.


 

- Tzarend?!

Zand está deitado em uma cama simples, em um quarto apertado, olhando para o teto sob a luz de uma lamparina a óleo. Já é noite e ele esperava aproveitar para descansar um pouco em um quarto individual, depois de ter que dividir um mesmo espaço com tanta gente, mas alguém insiste em atrapalhar.

“Parece o Breig.”

“É, parece...”

- O que é?

- Pode descer? Acho que vai te interessar.

- O que há?

- Notícias novas dos Raxx...


 

As imagens giram em sua cabeça e ele se levanta como um corpo que age espontaneamente, sem precisar de um cérebro. Logo está ele no bar, numa mesma mesa que Breig, Ched, Gwat, Eniu e Been. Os outros estão espalhados por aí. E, nessa mesma mesa, mais uma pessoa. Um viajante loiro de barba grossa e maltratada.

- Então, eu estava falando! Dizem que o novo rei e a nova rainha planejam capturar uma mantícora.

- Mantícora?! Mas isso é loucura! - Breig fala. - Elas não se deixam capturar!

- É, não sei como eles querem fazer isso, mas eles têm um mago poderoso ao lado deles. É o braço direito dos dois e é especialista em objetos mágicos e encantamentos.

- Azkelph... - Zand deixa escapar.

- O quê?! - O homem ouve e reage. - Não! Não lembro o nome dele direito, mas não o chamam assim por lá. É Proteges ou algo parecido.

- Fale-nos mais! E como está o caminho até lá? - Gwat pergunta.

- Eles estão tomando as fronteiras. Há torres de observação em pontos estratégicos nas fronteiras e nas principais cidades, principalmente as costeiras. E eles têm uma marinha a postos também. Ninguém sabe quando eles vão começar a atacar os reinos vizinhos. A suspeita é que estejam justamente esperando o domínio dessa mantícora.

- E como você descobriu tudo isso?

- Eu sou de Noak, ora! Estou apenas tentando ir o mais longe que posso da minha própria terra e aconselho vocês a fazerem o mesmo.

- E o que pretende exatamente?

- Vou até Awra e lá descubro. Talvez eu tente atravessar o oceano...


Escarlate II #16 - Dias de Paz

Escarlate II #16 - Dias de Paz

De novo em alto mar. Zand sorri olhando o horizonte. Não um sorriso completo. Sorri aproveitando horas de paz, que se tornaram mais frequentes desde que comprou um baú em Ey Vieo para servir de “casa” para Eve-64.

Já se sente um tanto à vontade junto da tripulação. Os irmãos encrenqueiros, o bardo com tambor, o bárbaro mudo de nascença...

Aquele barco negro parece realmente bom e, agora que está distante de Eve, experimenta uma paz especial.

“Meus pais estavam certos sobre o mar? Eu devia ter sido marinheiro?”

Observa, pensativo. Ainda é cedo do dia e alguns ainda dormem.

“Ainda não pensei no que vou fazer depois disso tudo. Só tenho pensado em Rubi. Isso não é bom. E depois? Está aí um caminho: depois posso virar marinheiro.”

Sorri olhando ao redor. O capitão está chegando. Vai em direção ao leme para que Edrio possa ir dormir. Edrio, o bárbaro mudo. Parece boa pessoa, de qualquer forma.

A essa altura já sabe também que existem três pessoas de nome Phri na Diabo M: um ladrão, um pirata que adora encher a cara e um dos rapazes que ajudam na embarcação. Isso é um pouco confuso no início, mas depois passa e fica muito normal quando Phri, Phri e Phri se tornam Croan, Xovi e Pyau. Claro que nenhum gosta de ser chamado pelo segundo nome e, no fim das contas, quase que apenas o Phri adolescente que é tratado assim, como Pyau.

Zand se dirige ao capitão, que nota sua presença de longe. É outra coisa também facilmente percebida a essa altura por Zand: o quanto Ched é paranóico.

- Bom dia! - Zand cumprimenta.

- Bom dia, Tzarend!

- Como estamos?

- Bem. Creio que ainda hoje chegaremos a Ey Dlir.

- Ey Dlir...
- Sim, será nossa última parada antes de entrarmos em território de Noak. Não se preocupe: vamos deixar você lá em Noak, em praia tão perto de Beniw quanto possível. Vamos sim ou meu nome não é Ched!

- Muito grato.

Zand se afasta lentamente...

“Como são calmos os dias sem Eve por perto... Se estivesse comigo, estaria tagarelando até agora.”

Olha as águas ondulando ao lado do navio, sendo cortadas por ele. E as ondas naturais do mar.

“Talvez ela tivesse algo interessante a dizer ou questionar a respeito de Ey Dlir. Para falar a verdade, às vezes até faz falta sua presença.”

E Zand segue até a cabine. Passa por Eniu, o bardo, ainda jogado no chão com uma garrafa de rum quase no fim, desacordado.

“Esse não tem jeito mesmo. É uma vergonha para a profissão.”

Desce as escadas, passa pelas grandes caixas de madeira da entrada e chega perto do seu colchonete. Tira a chave do cordão em seu pescoço, senta-se diante do baú e o abre. Ali está a bela Eve-64 em seus tons de azul. Do cabo à lâmina, passando pela inscrição “E-64” cujo relevo, mesmo nessa iluminação pouca, dá um lindo efeito nos seus tons de azul. Ele a pega.

“Bom dia, Eve!”

“Bom dia... Bom dia? Você me deixa trancada aqui há dias! O que pensa que está fazendo? Além do mais, você sabe muito bem o que acontece quando eu fico largada num canto por muito tempo...”

“O barco está em movimento, Eve.”

“E eu sei lá! Quer que aqui vire um navio fantasma? Até que ia combinar com o nome. Agora se você tivesse um mínimo de respeito e consideração, você...”

Zand solta a espada novamente dentro do baú a tranca novamente. Levanta-se, olha um pouco para o baú...

“Ela também não tem jeito.”

E caminha até as escadas para voltar à popa...


Escarlate II #15 - Ey Vieo

Escarlate II #15 - Ey Vieo

Poucas praias, muitos rochedos. Casas fazem ruas estranhas subindo nos morros de pedra no decorrer do litoral. No topo de um dos rochedos, um tanto distante mas também à beira do mar, pode-se ver claramente o templo ecumênico, erguido de mármore. Enorme e branco, é o ponto mais conhecido da cidade e não é difícil perceber a razão. É majestoso e transmite toda uma paz a um mero olhar. Também é raro templos assim, que servem à adoração de todos os deuses. É fim de tarde.

Zand e os outros homens da Diabo M colocam os pés no chão.

- Bem, aqui estamos! - Alguém falou. - Vamos à Corvo Bebum!

“O que é isso?”

“É um bar e hospedaria, Eve. É um ponto forte aqui em Ey Vieo.”

“Que nome estranho!”

- E mais tarde... - Been ajeita o chapéu nas mãos, pouco antes de colocá-lo na cabeça novamente. - ...vamos dar um pulinho na casa da Greka!

A turma segue eufórica entre aquelas ruas estranhas, apertadas e ladeirosas. Alguns curiosos com sua passagem, mas a maioria parece não estar nem aí...

“Dinastia Raxx... Rubi Raxx... Tudo o que ela queria era poder e riquezas que lhe garantissem uma vida de rainha. E deram o golpe de estado, dominando o exército de Noak rapidamente. Como é comum em política entre reinos, e como as relações de Noak com os outros reinos sempre foi morna, isso parece não ter atraído a atenção das outras nações.”

“Talvez elas estejam esperando as coisas andarem um pouco mais, para sentirem onde exatamente Halkond e Rubi querem chegar, antes de tomarem uma posição a respeito.”

“Eve!”

“Que foi?”

“Deixa pra lá...”


 

Com uma ótima vista para a cidade e muitas mesas a céu aberto. Com a escultura de um corvo cambaleando sobre o telhado. Assim é o bar Corvo Bebum.

Quartos e mesas para nove pessoas, e logo estão eles bebendo e conversando besteira noite adentro. Zand apenas observa, bebendo muito pouco.

Logo Zand está ali, deitado em um dos quartos, olhando para o teto, tentando dormir.

“Talvez você tenha se precipitado muito, sabia?”

“Por que diz isso?”

“As outras nações devem estar preocupadas com o golpe, mas ninguém quer uma guerra a essa altura. Talvez você conseguisse apoio de Wimow e Surdi, que são reinos vizinhos.”

“Talvez...”

“Em Wimow você já tinha um contato muito importante, e tem a confiança do general. E Surdi é enorme e tem uma área muito vasta de fronteira com Noak.”

“Certo, mas você sabe muito bem que essa briga é pessoal.”

“Claro, mas você também sabe muito bem que pra certo tipo de confronto um grupo pequeno e altamente competente é muito melhor que um batalhão de soldados. Talvez você conseguisse aliados e recursos para a missão.”

“E talvez se passassem meses até conseguir isso. Não importa mais.”

“Calma, é só uma ideia.”

“Uma ideia estúpida e que vem na hora errada.”

E Zand adormece, frustrado com tudo.


 

Rua Céu Azul. Ainda é muito cedo e poucas lojas abriram. Zand procura o número 53.

“...porque ainda há tempo de voltar para Ey Vudeon e procurar o general Plórius. Tem certeza de que...”

“Cala a boca, Eve!”

“Tenho certeza de que ele teria interesse em financiar essa missão.”

“Pra quê?”

“Equipamentos, contratar um pequeno grupo de apoio...”

“Ali!”

“O quê?”

“O endereço! Encontrei.”

“Você está me escutando?”

“Infelizmente.”

- Bom dia.

- Bom dia. Pediram para entregar isso.

- Hmmm... De Di. Tudo bem, muito obrigado.

Antes de ir voltar para o Corvo Bebum para tomarem café e partirem de Ey Vieo, Zand olha em volta. Baús, caixas e bolsas por todo o estabelecimento.

- Vocês vendem baús!? Cadeados também?

- Temos sim.

Zand olha para a Eve-64 por um instante.

- Vocês têm um onde caiba isso?


Escarlate II #14 - Terra à Vista

Escarlate II #14 - Terra à Vista

No início era apenas um sinal de terra no horizonte. Com o tempo é que o pedaço de terra foi se tornando cidade. Claro que a presença de mais barcos já denunciava antes mesmo de verem os sinais de terra. Zand observa da Diabo M, Ey Vieo se mostrar aos poucos...

- É uma bela cidade! - Um guerreiro com uma faixa vermelha na cabeça observa, ao lado de Zand. - É  sim! Eu gosto de vir para cá. Cidade turística, sabe como é...

“Pelo visto a cidade mudou pouco desde a última vez em que vim.”

“E eu com isso?”

“Tzarend...”

“Cansei de você, Eve.”

- Vamos, Tzarend? O capitão está chamando.

Todos se reunem na cabine. O capitão entrega um pequeno saco de pano ao bardo Eniu e ele vai passando com esse saco de pano por cada um da tripulação. Cada um tira de dentro uma pedra.

- Como todos sabem. - O capitão começa a falar, enquanto o segundo da tripulação está tirando sua pedra. - Todos, exceto Tzarend. A cada cidade onde vamos dormir uma noite um dos homens tem que ficar tomando conta da Diabo M, junto com os moleques. É só para precaução, Tzarend. Nunca se sabe o que pode acontecer. Como vocês sabem, quem ficou de guarda da última vez está liberado hoje, por isso é o Eniu que está distribuindo as pedras. Hoje as pedras verdes vão com a gente e a pedra negra fica.

- Droga! - Aquele mesmo guerreiro, que falara há pouco com Zand, olha com tristeza todos à sua volta.

- É, Di, acho que você vai ter que dormir aqui desta vez.

- Não, cara! Eu adoro Ey Vieo! Dá pra trocar com alguém não?

- Regras são regras.

- Ele tem que ir conosco! - Uglu, que estava ao lado de Di, grita e encara o capitão.

- São as regras. Temos que seguir.

- Sendo assim eu fico também. Não vou deixar meu irmão aqui abandonado.

Um riso se ouve no recinto e Uglu fica nervoso.

- Querem parar com isso?! Quem foi que riu? Apareça que eu dou motivo pra se divertir!

- Toma essa bosta! - Di joga a pedra no chão e sai da cabine.

- Bem, então está tudo certo. Eniu, recolha as pedras!

“Esses irmãos gostam mesmo um do outro. Dá pra ver claramente que os dois são fortes, que não precisam de proteção, mas mesmo assim parece que não gostam de ficar afastados. Interessante ver isso.”

“É...”

Zand sai e vê os irmãos conversando popa. Uglu volta para a cabine e deixa Di ali olhando a imensidão do mar. Zand se debruça sobre a grade a dois metros de Di.

- Detesto quando ele usa pedras negras... Nunca me dou bem com elas... Eu sabia que ia sobrar pra mim quando ele falou que a pedra maldita era negra. - Ele para por um minuto, como se precisasse tomar fôlego. - Ele tem uma coleção de pedrinhas desse tipo, de várias cores. Toda vez ele muda qual a maldita e quais as outras. Porque assim não tem como a gente adivinhar qual a certa antes de tirá-la do saco, só pelo tato... Mas é assim mesmo.

“Parece mesmo decepcionado ele.”

“Não brinca...”

- Eu queria muito ir... Sabe? Tenho alguém nessa cidade que eu precisava ver.

O silêncio de Di é rompido apenas pela discussão dos rapazes, enquanto esfregam o chão perto da cabine. Uma forma de revolta por nunca poderem ir à cidade, por serem tratados como escravos e reclamações do gênero.

- Tudo bem... Tzarend, poderia me fazer um favor? - Zand apenas olha, esperando que Di conclua a frase. - Gostaria que entregasse uma carta. O endereço é fácil, fica mesmo no centro de Ey Vieo. É algo importante, entende?

- Por que não pede...

- Não confio neles... Só no meu irmão, que vai ficar por aqui também.

- E quanto a mim? Faz poucos dias que me conhece.

- É, mas eu tenho minhas razões. Tenho razões para desconfiar de cada um da tripulação. O capitão sabe muito bem que gente juntou, você notou como está sempre paranóico? De você não tenho ainda razão para desconfiar, pelo menos até agora.

- Tudo bem, eu levo.

- Como vamos chegar só no fim da tarde, ainda vou escrever. E te entrego, tudo bem? - Estende a mão para Zand. - Não imagina como fico grato com esse favor.


Escarlate II #13 - É o Barco mais Ligeiro

Escarlate II #13 - É o Barco mais Ligeiro

Todos na cabine. Um barril de rum à vontade. É a forma da Diabo M comemorar uma nova missão. É a primeira noite em mar e já deixaram claro que não tem festa toda noite não... Zand bebe também, mas apenas observa.

Já notou como o tal Been é viciado em jogos: já está ali jogando baralho com mais três num canto.

“Já notou aquele ali?”

“Quem, Eve?”

“Aquele encostado na porta.”

“O que tem ele?”

“Parece com você. Fica sozinho, bebendo e observando tudo...”

Um rapaz entra correndo e esbarra em um dos que conversavam no meio da cabine.

- Ei! O que está fazendo, pirralho?!

- Desculpa, Uglu... Foi sem querer. É que o  Phyha... - E aponta para fora, com a cara assustada.

- Ei, Uglu! - Breig, que estava encostado num canto lendo e bebendo, resolve intervir. - Vamos parar! Foi um acidente, ele já pediu desculpas.

- Acidente?! Acidente é eu dar um nó nas pernas desse moleque e jogá-lo no mar! Isso que seria um acidente!

- Gente! - Been deixa o jogo de baralho e vem ajudar. - O que é que há? É hora de diversão!

Um bárbaro bem grande chega, pega o rapaz pelo ombro e o conduz para fora da cabine, quase gentilmente. Pelo menos parecendo tentar ser gentil. Então volta encarando o Uglu.

- É todo mundo contra Uglu agora!? - Outro vem empurrando o bárbaro.

- Isso não tem nada a ver com você, Di.

- Tudo que diz respeito a meu irmão tem a ver comigo sim!

A porta do outro lado se abre e subindo a escada vêm o capitão Ched e Gwat, seu braço direito.

Ched olha rapidamente para cada um do recinto (e para as janelas, onde vê dois dos rapazes observando curiosos), enquanto Gwat pega um copo de bebida com o tripulante que estava apoiado no barril e caminha até o tal bardo da Diabo M, que está espalhado pelo chão num dos cantos.

- Já chega! Não quero confusão aqui! Vocês não são crianças!

- Ora, e quem te deu direito de falar conosco assim? -  Uglu pergunta com desdém.

- Quando vocês resolverem agir como adultos, eu terei todo o prazer em tratar vocês como adultos. Até lá, se acostume. Eniu?

O bardo já está de pé, meio desajeitado enxugando do rosto a bebida que Gwat acabara de jogar.

- Fala, capitão...

- Toque algo que nos anime! Anda!

- Bora lá... - Ele cambaleia um pouco com seu tambor e começa.
“Essa é a Diabo M
Nossa frota em alto mar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!

Nas mãos do capitão Ched
Nós iremos navegar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!”

- Não esquenta. - Um cara magro vestido em um manto fino e escuro começa a puxar assunto com Zand. - É sempre assim mesmo. Uglu é muito esquentado e arruma confusão por qualquer coisa.

Zand não demonstra muito interesse na conversa e ele continua caminhando pela cabine com a bebida.

- “Foi lá nas praias de Azt
Que eu fiz essa cantiga”

“Desde quando Azt tem praia?”

“É, no meu tempo mesmo não tinha... Acho que esse sujeito bebeu um pouco e está trocando as bolas. Deve ser isso...”

- “Quem quiser ser mais ligeiro
Do que minha cantoria
Tem que treinar um bocado
Treinar de noite e de dia

Pois enquanto tem bebida
Eu me garanto no cantar
Enquanto tem bebida
Vamos todos festejar!

Essa é a Diabo M
Nossa frota em alto mar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!

Nas mãos do capitão Ched
Nós iremos navegar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!”

Todos cantam junto essa parte, como um refrão. O capitão Ched bate palmas timidamente. Do outro lado, o tal sujeito que Eve notou continua lá. Quieto, bebendo e observando, ou só pensando na vida.

- “Saímos de Ey Vudeon
Por ordem do capitão
Vamos nós dentro dos mares
Em uma nova missão

Jenofina que não veio
Se ela estivesse aqui
Faria tudo pra ver
Eu cantar e eu sorrir

Essa é a Diabo M
Nossa frota em alto mar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!

Nas mãos do capitão Ched
Nós iremos navegar
É o barco mais ligeiro
Que você vai encontrar!”


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