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Carli Batson

Carli Batson

Capitão Marvel é um super-herói que apareceu pouco depois do Super-Homem. Um super-herói muito mais interessante que o Super, que logo foi reconhecido e se tornou mais popular que ele. Caiu graças às "maravilhosas" leis de Propriedade Intelectual e terminou sendo obtido pela empresa que é dona do Super. Claro que não importa o quanto você seja bom, você não pode competir com a Xuxa se estiver trabalhando na Rede Globo...

Billy Batson é uma criança que termina recebendo os poderes do mago Shazam. Ao pronunciar o nome do mago, ele ganha poderes de seis deuses: a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, a coragem de Aquiles, o poder de Zeus, o vigor de Atlas e a velocidade de Mercúrio. Traduzindo para o mundo dos super-heróis, ele vira "um super-homem", com idade, postura e musculatura de super-homem. Super-força, super-velocidade, vôo, etc... Só tem um problema. Mesmo tendo até a sabedoria de Salomão, por dentro ele ainda é uma criança, sendo a ingenuidade seu ponto fraco.

Eu sempre acreditei ter uma mente ágil e perspicaz. Sempre me vi dotado de certa sabedoria. Sempre encarei o mundo com paciência e persistência, mas também sei ser audaz e pioneiro. Acredito ter bom talento artístico também. Também creio ter um apurado senso de justiça, muitas vezes sendo capaz de julgar até mesmo a mim próprio de maneira impessoal. Mas no fundo também sou uma criança por dentro.

Acho que poucos entendem tão bem o que passa o Capitão Marvel quanto eu, sabia? Até mesmo o aparente conflito entre "Sabedoria de Salomão" e "Ingenuidade". E até meu nome parece estar muito relacionado ao herói. Cárlisson... Carli Batson, só que com "Car" no lugar de um "Bil". Mas o "Car" também lembra CApitão mARvel".

Não sei... Talvez eu precise ser uma criança por dentro para manter as coisas em que acredito, para manter vivos os meus heróis. Afinal, como eu já disse outro dia em uma poesia, toda força vem de uma fraqueza...

-- Cárlisson Galdino

Jasmim #13 - De Osso

Jasmim #13

- Nossa! Sério!? Não acredito!

- É verdade.

- Nossa, Jasmim! Que incrível!

- Por isso não gosto de falar dessas coisas. Parecemos duas madames no salão de beleza fofocando...

- Ah, Jasmim, também não é por aí... Você devia ficar mais animada! Você descobriu muito sobre esses sonhos de uma vez só!

- O que eu descobri? Que quem prepara esses sonhos é um idiota?

- Ah, não fala assim do Gládio, vai...

- Klaitu.

- Sei, mas ele que tem guiado você, né?

Jasmim suspira. Sim, é verdade. E ela só não se livra
da morningstar e esquece tudo isso por querer tanto acabar logo com
isso pra que o mundo volte ao que era antes.

Estão no antiquário, sentadas ao balcão. Anna com uma
blusa laranja e short branco. Com um laço laranja escuro na cabeça e
olhar nas nuvens, pensando nos sonhos de Jasmim. Esta, do contrário,
permanece séria, com sua camisa cinza mostrando dois pinheiros verdes,
um mais claro que o outro. Diante dela, a caixa de madeira. Que lugar
mais seguro acharia para guardar a arma do que perto de si mesma?
Claro, os anéis estão em uma pequena bolsa no bolso de suas calças
jeans.

- Nossa, e a arma? Ele falou alguma coisa da arma?

- Nada muito importante.

- Disse que é mágica, né?

- É, mas os poderes dela ainda estão aparecendo.

- Hmmm... Você vai ter mesmo que usá-la?

- ...

- Digo, lutar com a arma. Iá! Sabe? Será que você...
Não sei, os guerreiros antigamente treinavam muito pra poderem usar um
negócio desses, né? Será que você consegue? Não, quero dizer, sem nunca
ter lutado, né? E...

- Eu já usei.

- Quando?!

- Na universidade, quando visitei o professor. Não contei?

Não, não contara. Pouco tem falado com Anna desde que
a conhece. Somente nos últimos dias é que têm conversado sobre os
sonhos e o que está havendo com o mundo... E Jasmim ganha uma fã.


Já coberta e deitada na cama, Jasmim sorri
discretamente. É inacreditável a empolgação da Anna. Sorri ao se
lembrar de como Anna se levantou e como reagiu ao que Jasmim narrava do
confronto com o homem de fogo. Parecia uma criança de cinco anos
assistindo ao filme do seu herói preferido.

Sorri, mas não é por vaidade. Sorri como a mãe
daquela criança de cinco anos que assiste ao filme feliz. Mais
contagiada pelo entusiasmo do que outra coisa. Enfim, fecha os olhos e,
com a mão direita tocando o cabo da morningstar, adormece, deixando o
quarto e as coisas do mundo temporariamente para trás.


Mais um anel. Parece feito de osso, com o desenho em
relevo de um crânio humano. Silêncio, escuridão e frio. O anel gira no
ar como em um comercial de joalharia. Um baú de madeira desgastada se
fecha prendendo o anel. Está numa parte da parede de uma sala
pequena... É dentro da...

- A capela! - Jasmim desperta. Sim, é na pequena
capela do cemitério que está esse anel de osso. Ela sabe exatamente
qual a parede e poderia até descrever o baú e estipular seu valor.

Ela se levanta e caminha até a sala com a morningstar
e um livro. Acende a luz e se senta no sofá. Caso tivesse um carro iria
para o cemitério agora mesmo. Mesmo sendo ainda três e meia da manhã.
Mas não tem carro, nem muito interesse em aprender a dirigir. Depois
que seus pais se foram em um acidente ficou esta, entre
outras feridas que Jasmim evita revelar. Nada de automóveis, e ela
segue lendo Dostoiévski até o nascer do dia.


Uma carta de baralho. A rainha de espada levemente
inclinada para a direita, com fundo azul escuro atrás da carta bege. É
a camisa de Jasmim, enquanto espera Anna já com o antiquário aberto, já
pronta como noutro dia. E ela não demora a chegar, vestida em tons
pastéis.

- Nem preciso perguntar, né Jasmim? Ou foi mais um sonho ou não me chamo Anna, pra estar aberto tão cedo...

Jasmim se levanta e pega a caixa de madeira.

- É, como eu pensei. Vai pra onde dessa vez?

- Pro cemitério.

- Ai, não brinca! Cuidado! Dizem que tem fantasma por
lá. Tem uma tia de uma amiga que morava lá perto e se mudou semana
passada porque não agüentava mais.

- Não se preocupe. Eu sei o que estou fazendo.

- Verdade. Você sempre sabe, né? Queria ser assim...
Às vezes penso que minha vida é como uma canoa no mar e eu só vou indo
e indo...

- Está chorando?

- É... Meu irmão lá em casa. Liga não, vai! Estou te atrasando.

- Então já vou. Se recupere. - E vai em direção à porta.

- Até mais, Jasmim! Boa sorte! E cuidado!

Jasmim deixa a loja e Anna se debruça em lágrimas sobre o balcão.

- Eu vou matar aquele moleque idiota...

Jasmim #07 - Caça aos Anéis - Parte I

Jasmim em Japonês

Anna caminha pela calçada no início do dia. Ao longe, avista o antiquário já aberto. Confere o relógio. Tinha certeza de que não estava atrasada de novo e os ponteiros confirmam que ainda não são oito horas.

- São os sonhos de novo, né? - Pergunta, ao entrar e ver Jasmim no balcão, vigiando a entrada.

- É.

- Você vai se acabar assim! Tem que dormir! Já tentou algum remédio?

- Não, obrigada.

Só então Anna percebe a caixa comprida, onde Jasmim leva a Morningstar, sobre o balcão. Jasmim se levanta.

- Vai sair, Jasmim?

- Vou.

- Por quê?! Não gosto de ficar sozinha aqui!

- As janelas estão projegidas agora.

- Eu sei, mas tem a frente! Sei lá, com você aqui eu me sinto mais segura... Gosto tanto quando você está aqui comigo... Vai não!

Jasmim pára com olhar distante, enquanto a Anna vai ficando vermelha.

- Ei, está pensando em quê? Sou sapata não, viu? - Anna fala com um sorriso envergonhado.

- Está querendo dizer que eu seja?

- Não, é que... - Anna fala, já sem graça, coçando a cabeça. - Ah, deixa pra lá... Vai onde?

- Vou pôr os sonhos à prova.

- Legal.

Jasmim se dirige à porta de entrada carregando a caixa.

- Ei, Jasmim! Vai levar mesmo isso? - Aponta para a caixa em seus braços.

- Vou.

- Não vai ser mais difícil trazer a outra arma, quer dizer, se o sonho for como o de antes?

- Desta vez não é arma, são anéis.



- Bom dia, em que posso ajudá-la? - Um senhor de idade recebe Jasmim em seu antiquário, tão grande quanto o dela, com algumas estantes interessantes no canto, que logo chamam a atenção de Jasmim, mas não foi isso que veio procurar.

- O senhor tem anéis?

- Hmmm... Não, infelizmente não tenho.

- Que pena. Obrigada.

- Não há de quê. Era só isso? - Jasmim responde afirmativamente com a cabeça. - A caixa não é para me vender algo, então?

- Não, obrigada. - Jasmim se vira para ir embora.

- Perdão... - o homem fala, fazendo Jasmim se virar de volta. - Você não é filha dos Arsoyevna?

- Sim.

- Sou Ígor. Era amigo dos seus pais... Olha, se precisar de qualquer coisa, é só pedir, tá? A gente pode negociar uma estante quando você quiser.

- Obrigada. - Jasmim faz um cumprimento rápido e sério antes de deixar definitivamente a loja.

Amigo de seus pais... Oferecendo ajuda... Jasmim não deixa de pensar no que o sr. Ígor realmente está querendo. Afinal, "amigo de seus pais" que se importasse mesmo não esperaria para oferecer ajuda à órfã só seis anos depois... Teria oferecido só por educação? Não que Jasmim precise dessa ajuda. Não que Jasmim aceitasse tal ajuda, ainda que precisasse. Afinal, estantes antigas, valiosas e bonitas ela também tem e aquelas do sr. ïgor perderam a graça.



Lustres, relógios, vitrines com objetos dos mais variados. A loja é estreita, mas praticamente não tem sofás ou estantes.

Um casal de vendedores comenta lá no canto a entrada daquela joem de jaqueta e calças jeans e cabelos loiros. De olhos azuis, a carregar uma caixa comprida de madeira.

Jasmim ouve palavras soltas entre o que os dois cochicham. Palavras como "Arsoyevna", "chata" e "o que ela quer".

Continua entrando na loja e a mulher que conversava, uma ruiva de jeito sonso, a recebe.

- Pois não?

- Vocês têm anéis?

- Temos sim, acompanhe-me.

Elas caminham até um jogo de sofás. Sim, de fato a loja tinha sofás... Mas são sofás para atendimento.

- Aguarde aqui um instante.

Jasmim se senta com a caixa sobre as pernas e observa a loja de onde está. Intuitivamente cada produto que recebe seu olhar forma um preço em sua mente. Depois de anos e de dedicação e esse ramo, avaliar objetos antigos se tornou uma ação quase automática. É claro que os valores que deduz são base, geralmente aumentam ou diminuem conforme o estado de conservação, que só uma análise mais atenta e próxima mostra, e a história do objeto.

Enfim lhe vem uma mulher com vestido turquesa, de cabelos ruivos longos e ar desconfiado. Parecida com a anterior, porém mais velha. Provavelmente sua mãe e dona do estabelecimento.

- A senhorita gostaria de ver anéis?

Jasmim #04 - Número 37

Jasmim - Morningstar

- Meu nome é Pietro. O seu é Jasmim, né?

Estão de carro, um carro laranja de duas portas não tão novo. O motorista é um homem jovem de óculos arredondados e cabelos curtos e lisos. Veste-se de branco. A seu lado, Jasmim com o pescoço imobilizado e alguns esparadrapos e pomadas pelo corpo, sob a mesma roupa.

- Ei, já vi que você não é de falar muito... Até sua camisa, olha! - Aponta para o desenho dos dois esqueletos. - Até o desenho da sua camisa conversa mais que você!

Jasmim o fita com cara de tédio.

- Hmmm... Parece que vai chover hoje, né?

Jasmim desiste e desvia sua atenção para as casas e árvores que passam à sua janela.

- Ainda não entendi uma coisa... Como é que você se machucou tanto numa sala, hein? Estava lutando Caratê com o seu professor ou algo assim?

- ...

- Ou então você é muuuuito desastrada, né? Nunca vi...

Jasmim aponta para a rua, na próxima entrada à esquerda.

- Olhe, obrigada. Já chegamos.

- Ah, o que é isso, Jasmim! Foi um prazer conversar com você! Sabe? É meio chato vir sozinho pro almoço todo dia!

- Pare aqui.

- Além do mais... Está bem. Além do mais é caminho de casa, sabe? Não é incômodo.

Pietro sai do carro para tentar ajudar Jasmim a descer, mas ela sai sozinha. Então ele levanta o banco para pegar a caixa de relógio.

- Realmente essa caixa é pesada, hein? Você mora aqui? Não estou vendo a casa.

- Na outra rua.

_ Por que não disse? Eu te deixava lá e...

- Ia pegar contra-mão. - E estende os braços para receber a caixa.

- Não, não! Que é isso!? Eu levo pra você! Você está machucada e eu sou um cavalheiro, vamos que te acompanho.

Jasmim olha para ele por um tempo...

- Está bem, mas vê para de falar. Já tive um dia péssimo.

- Tudo bem, deixe comigo!

Pietro trava o carro e segue acompanhando Jasmim pela calçada, próximo à esquina.

- Nossa, essa caixa é mesmo pesada! Como você anda com isso?

- ...

- Ainda não entendi como você se queimou. Machucado a gente cai de mal jeito e pronto, mas queimadura numa sala... E dizem que queimaram livros lá também...

- ...

- Aquele lá é seu professor, né? Você estuda o quê lá?

- ...

- Tá, tá bem... Não quer dizer, eu adivinho! Você tem cara de quem faz... Arquitetura, acertei?

Jasmim responde com a feição mais parecida com um sorriso que deu a Pietro. Arquitetura... Provavelmente ia terminar fazendo História, Arqueologia ou algo do tipo. Talvez até mesmo Administração. Porque tem a ver, de certa forma, com a sua área de atuação hoje, mas fazer Arquitetura era seu sonho na infância e adolescência.

- Viu, acertei! Você faz Arquitetura! Você é muito calada, sabe? Devia se soltar mais, ser menos tímida... E menos desastrada também. Eu mesmo quando comecei a fazer Enfermagem, olha, nem te conto: era um desastre! Hoje, eu... Olha, tem bombeiros ali!

- Quê?!

O carro está parado no número 37. Sim, na frente do antiquário, na mesma calçada por onde estão indo agora os dois. Com o susto, Jasmim tenta correr, mas pára dois passos depois. "Malditas dores!"

- É sua casa? Nossa! - Pietro chega perto dela. - Está bem? Calma, a gente vê o que aconteceu. Espero que não tenha estragado muita coisa.

Jasmim olha séria em direção à loja à frente enquanto caminha como pode.

- Menina, você é quente mesmo, hein! Dois incêncios no mesmo dia!?

Com raiva, Jasmim toma a caixa de Pietro, mas não consegue segurá-la e ela cai no chão.

- Jasmim!? - É a Anna, que ao ouvir o barulho sai da loja correndo ao seu encontro. - Você não sabe o que aconteceu e... O que aconteceu com você?

- Ela se machucou um pouco, mas está bem. É só descansar. Alguém se machucou aí?

- Não e...

- Vamos. - Jasmim fala para Anna, ao ver que ela já pegou a caixa do chão. - Obrigada e adeus. - Fala para Pietro, sem nem olhar para ele, e caminha com Anna.

- De nada, Jasmim! A gente podia sair qualquer dia, né? Conheço uns lugares bem quentes! Boa recuperação!

Logo elas chegam. Jasmim, com o coração apertado vê a fumaça no fundo da loja e, do seu lado, Anna abraçada com a caixa, com lágrimas correndo por seu rosto já sem maquiagem, e com os lábios trêmulos.

- Olha, Jasmim, eu juro que não fui eu...

Jasmim #03 - Contra Fogo

Jasmim

Jasmim, que já estava perto da porta, rapidamente deixa a sala do professor Nicolau. Em apenas alguns segundos está de volta com o extintor de incêndio que vira no corredor.

A estante perto do professor está em chamas; o professor, totalmente imóvel jogado no chão. Mas aquela estranha criatura de fogo em forma humanóide continua lá. Se ela tivesse sido fruto da imaginação, o fogo não era e o extintor teria sido, de qualquer forma, necessário, eis o que pensou Jasmim. Como esse ser alto de fogo parece ser real, Jasmim segue com a outra ação que havia planejado.

Enquanto caminha iluminando e produzindo estalos em direção ao professor, a criatura é surpreendida por uma fumaça branca em suas costas. Em um giro rápido de braço, ela se livra do incômodo.

Jasmim é arremessada contra uma das estantes do outro lado da sala. O extintor bate na parede, cai rolando no chão. Jasmim ergue a cabeça enquanto alguns livros caem sobre suas costas. Seu plano não deu certo e seu pescoço dói. Em uma olhada rápida na sala, outra idéia lhe ocorre. Levanta-se.

A criatura em chamas vem em sua direção. O extintor não parece ter produzido qualquer efeito nela, mas não importa. Jasmim espera o momento certo... Esquivando-se da criatura, salta para a mesa onde conversava com o professor há tão pouco tempo. Suas mãos vão direto para dentro da caixa que trouxera e seguram com firmeza a Morningstar. Metade do trajeto concluído, Jasmim não espera para dar dois passos girando a arma no ar, mirando a peça que o professor utilizara como incensário.

Situações estranhas exigem raciocínio estranho. Se o monstro saiu daquela peça como parece ter saído, pode haver uma ligação vital com ela de alguma forma, eis o plano.

Um movimento mal calculado e a bola de aço encontra o chão, estilhaçando alguns azulejos. A criatura se volta e vem em sua direção.

Morningstar erguida e outro golpe, desta vez atingindo o alvo. A peça se quebra no meio, bem como a mesa pequena de madeira onde estava.

Com o pescoço doendo, Jasmim se vira um pouco para o lado, na esperança de que o monstro tenha desaparecido. Para sua decepção, tudo o que vê é a tal criatura, já assustadoramente próxima, com um dos braços vindo em golpe. Instintivamente, Jasmim ergue a arma como uma defesa. O golpe a arremessa para próximo à mesa de há pouco. Jasmim afasta a cadeira e se ergue. Sente que desta vez não recebeu todo o golpe, como se tivesse conseguido apará-lo com a Morningstar e apenas a força da criatura a jogou para longe.

Empunha com firmeza usando as duas mãos, enquanto a criatura se aproxima mais uma vez. Pelo canto dos olhos, vê de um lado o professor ainda inerte; do outro, olhos assustados já se agrupam na porta a assistir à cena.

Num movimento de rebatedor de Baseball, Jasmim atinge o ser de fogo. Desta vez é ele quem vai ao chão, perto do objeto quebrado e dos restos da mesa, no canto de onde viera.

Não havia ocorrido a Jasmim que esse estranho ser de fogo pudesse ser ferido por uma arma assim. Golpeá-lo agora foi o que se podia chamar de ação desesperada. Um leve sorriso se forma em seu rosto enquanto ela reempunha a arma. Um sorriso sutil, pois apesar de saber como ferir o inimigo, ele ainda existe.

Jasmim salta sobre ele no momento em que ele ainda se levantava. O ombro direito de Jasmim recebe o impacto de um braço flamejante logo depois que a Morningstar alcança o chão.

Jasmim ergue a Morningstar já aplicando outro golpe. Outro golpe que não atinge o oponente. Desta vez, porém, não há tempo para revidar. Três golpes mais vêm rapidamente e todos atingem o monstro de fogo, que cai já com o brilho mais fraco.

Jasmim o atinge mais algumas vezes até que ele se desfaz em uma fumaça densa.

Os olhos azuis da vitoriosa guerreira acompanham, desconfiados, a fumaça. Prestes a atacar novamente a qualquer sinal de "vida". Mas a fumaça se dispersa pela janela. Acabou, e ela se deixa cair sentada no chão.

- Seu cabelo está pegando fogo!

Não é o cabelo, é a camisa, perto de onde o monstro a atingira.

Jasmim tira a camisa. Bate duas vezes no chão e apaga o fogo que ela trazia. Passa a mão no cabelo e está normal. Solto a essa altura, sujo e bagunçado, mas sem sinal de fogo. Seu ombro, entretanto, traz uma bela queimadura.

- Você está bem? Já chamaram a ambulância.

As pessoas já entraram na sala. A maioria está além do balcão, olhando...

- Professor?

- Ele está vivo. Fique parada, você não está bem. A ambulância chega já.

Jasmim abaixa um pouco a cabeça, pensativa. Agora seu ombro começa a doer de fato. Quase não pode mexer o pescoço também sem piorar a dor nele. Sua preocupação, porém, é na correlação entre o que houve e o sonho. Foi real? Se foi, como estará realmente o mundo lá fora?

Seus olhos vêem que, da cintura pra cima, está apenas de sutiã. Na mão direita, a camisa preta ainda está enrolada, como ela lembrava. Mas a mão esquerda ainda segura firme a Morningstar.

Bardo

BR AL Arr
Sou Cárlisson Galdino, da Terra dos Marechais. Seja bem-vindo ao meu lar. Aqui você encontra Opinião e Arte. Use o menu no topo da página.

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