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Eternas Víboras

Eternas Víboras

Que grite, corra, chore ou se flagele
Não basta pra esse mundo que te abate
A Noite não vai recuar no berro
No berro teus imigos te ouvirão

Que importa a eles se és feliz ou não?
Te querem ter por boi marcado a ferro
Se acharem jeito, querem que se mate
Pra vender rins e um abajur de pele

E a sociedade oculta aquele velho
Costume desumano e mal eterno
De criar prazer dos outros a sangria

Não te anime, porém, c'o novo Dia
O anjo que te espera co'ar fraterno
Esconde a espada a gotejar vermelho

-- Cárlisson Galdino

P. S.: Foto original de j4yx0r.


As Bases de um Poeta Completo

Violeiro

Camões falava de Saber, Engenho e Arte em suas poesias. Considero, ao menos em minha interpretação, estas como as três características fundamentais para um poeta completo. Aqui, falo um pouco de cada uma delas na forma como vejo (não há garantia de que seja a forma como Camões pensava, embora ache até possível que de repente tenha sido).

Saber

Um poeta tem que ter o conhecimento do que vai falar. Para poesias filosóficas, conhecer filosofia; para narrar casos acontecidos, traçar bem o que houve. Enfim, tem que ter o tema. Um poeta de muito saber tem jogo de cintura e conhece vários temas. Se for um repentista, tem uma boa desenvoltura temática.

Engenho

Um poeta que não tem noção de ritmo e métrica não é um poeta completo. Essa é a parte que pode "obscurecer" o que o poeta quer dizer, mas é o caminho mais longo o que nos fortalece.

É difícil eu me afeiçoar com poesias modernas, que são poesias para serem declamadas teatralmente e não seguindo um ritmo.

Todas as regras são convenções e podem ser quebradas, mas quem planeja quebrar regras tem que saber o que está fazendo. Regras devem ser seguidas à risca enquanto não as entendemos. Só quando dominamos as regras é que podemos quebrá-las, se quisermos. Nesse ponto, teremos plena ciência de que estamos quebrando onde queremos um efeito diferente do convencional e, para quem também conhecer as regras, isso ficará muito claro.

Um exemplo mais claro dessa postura de conhecimento é a famosa licença poética, que dá liberdade ao poeta para burlar as regras do Português. Erros vindos do desconhecimento nunca foram nem serão licença poética, ela existe para mudanças conscientes nas regras do Português, mudanças que vêm para atender algum interesse do poeta.

Aplique-se o mesmo a métrica, rima, ritmo...

Arte

Esse é o fundamental de um poeta. Isso porque o Saber pode ser adquirido com leitura e o Engenho desenvolvido com o estudo e a prática. Se você tem Saber e Engenho, mas não Arte, produzirá poesias perfeitas estruturalmente, bem organizadas, mas sem vida, incapazes de despertar emoções no leitor.

Por outro lado, é até comum algumas pessoas que têm Arte, mas não Engenho ou Saber. Muitos desses nem tentam fazer poesias, limitando-se a escrever textos muito bem escritos e de agradabilíssima leitura.

Poetas Perfeitos

Um bom caminho para poetas perfeitos é dos violeiros, que desenvolvem a desenvoltura no Saber e aprimoram de maneira sublime o Engenho, quando atentos a ele (pois às vezes forçam métrica esticando sílabas cá e atropelando sílabas acolá). Se o cabra tiver Arte, não há quem segure.

Se quiser aprender mais sobre o Engenho, pesquise os estilos populares. São dos mais ricos e complexos que encontrei.

Para finalizar, uma estrofe de um galope à beira-mar, de Dimas Batista, que demonstra bem a superioridade do violeiro e repentista diante de muitos ditos poetas por aí...

"Eu acho engraçado um poeta de praça
Que passa dois meses fazendo um quarteto
Com um ano de luta, é que finda um soneto
Depois que termina, ainda sem graça
Com tinta e papel, o esboço ele traça
Contando nos dedos pra metrificar
Que noites de sono ele perde a pensar
A fim de mostrar tão minguado produto
Pois desses, eu faço, dois, três, num minuto
Cantando galope na beira do mar."

-- Cárlisson Galdino


Nova versão do português em 2008

Diz: Casa

Segundo o Alessandro Martins, aquela velha mudança na nossa língua ocorre no início de 2008.

Segue a lista que ele publicou com as mudanças que ocorrem (em itálico), seguindas de meus comentários a respeito (sem itálico).

  • paroxitonas terminadas em o duplo perdem o acento circunflexo: voo, abençoo - este sinal realmente não tinha muita função a não ser estética. Pode-se dizer que se trata de uma correção bem-vinda, apesar da perda estética.
  • uso do hífen vai mudar (tudo bem, nunca aprendi direito mesmo) - nossa, essa é complexa! No recanto das letras há mais informações sobre esta mudança.
  • o acento circunflexo de conjugações como creem, deem, leem e veem deixa de existir - mesmo caso da primeira mudança desta lista...
  • fim dos acentos de diferenciação? Errado cara pálida. Vão surgir alguns casos de dupla grafia para fazer isso, como o uso do acento agudo na primeira pessoa do plural do pretérito perfeito dos verbos da primeira conjugação, tais como louvámos em oposição a “louvamos” e “amámos” em oposição a “amamos”. Isso eu achei besteira - O acento diferencial é um recurso interessante para garantir que a palavra desejada é esta e não aquela. Porém, no momento acho até aceitável que suma. Não entendi como eles tiram diferenciais e acrescentam outros. Pelo menos os novos seguem uma regra mais exata.
  • o trema desaparece completamente. Porém, conheço pouca gente que ainda escrevia lingüiça - O trema é necessário para que se saiba como pronunciar a palavra, o que pode parecer besteira para nós que estamos acostumados ao idioma, mas dificultará ainda mais o aprendizado da nossa língua por outros povos.
  • as letras k, w e y entram para as felizes integrantes do alfabeto: yoga, wasari e karatê - Não entendo a real necessidade do k, w e y na língua, já que suas funções têm sido muito bem substituídas por correspondentes. Não há uso das palavras adaptadas? Mas isso é porque o pessoal não valoriza o Português.
  • o acento deixa de ser usado para diferenciar pára (verbo) de para (preposição) - considero relacionado ao caso do acento diferencial (acima).
  • o acento agudo em ditongos abertos desaparece: jiboia, assembleia, claraboia,arariboia - Esta é a melhor de todas as mudanças e a mais esperada por mim. Ela corrige um bug no idioma.Vamos falar mais sobre isso...

O que é um acento? Não um tio ou um acento grave, que são de uma outra categoria... O que é um acento agudo ou cincunflexo? É um sinal que modifica a sílaba tônica da palavra. Simplesmente isso. Por exemplo, imagine a palavra inexistente "eblisuvo". Lendo-a assim, ela é paroxítona, naturalmente paroxítona. Se quisermos chamar diferente, usamos um acento. Por exemplo, "eblísuvo" ou "eblisuvô".

Partindo para palavras reais... Como você leria a palavra voo, se existisse? Certamente do mesmo jeito que "vôo". O acento nesse caso é um apêndice inútil. O mesmo ocorre com idéia, cuja pronúncia já é a mesma da ainda inexistente palavra "ideia". Pra quê acento nesses casos?

É, acho que teremos uma perda no trema, mas no final há boas correções nessa nova versão do idioma. Vamos esperar as primeiras gramáticas oficiais pra nos readaptarmos corretamente, né?

 

[]s,

 

-- Cárlisson Galdino


O Fantasma da Opera

Você conhece o Fantasma da Opera? É uma bela história, embora eu não tenha lido ainda o texto original.

Gosto tanto dessa história que tenho os DVDs originais da versão de 1943 e da versão de 2005, muito diferentes entre si. Por mais interessante que seja, dos dois o que é musical é o de 2005. E um grande musical, diga-se de passagem!

Bem, o que houve é que tirei a barba de alguns anos para vestir Fantasma da Opera na versão de 2005 (a foto aqui publicada) na festa de aniversário de um primo (Charles).

Aproveito então para mostrar, além da imagem deste post, umas fotos no flickr (é, faz tempo que não publico nada lá). E recomendar que assistam a versão de 2005, que é excelente. O clipe abaixo apresenta a cena com a música principal do filme.


Coração de Leão (2.0)

Xebazum vrs. Inseto

Uma euforia toma conta da arena
É o grande Xebazum quem entra em cena
O Sol ofusca co'asas estendidas
Porém menos que exaltadas torcidas

O famoso herói pra seus fãs acena
Ergue os braços, mostra a espada pequena
Retumbantes vivas vêm da cidade
Menores que o estrondo da aberta grade

Da jaula surge tão bizarra fera
Mas nada que amedronte o herói, que espera
Parte o inseto gigante em investida
Calmo está Xebazum de espada erguida

Os golpes sacodem o coliseu
A luta é feroz como prometeu
Mas um segundo cala a multidão
É o gládio de Xebazum lá no chão

É o corpo, do ar ao chão vem conduzido
É o sangue no chão, do herói tão querido
É o povo que estava vibrante outrora
Que agora triste só lamenta e chora

O maior herói que a arena pisou
Grande ídolo de todo gladiador
O sangue corre do corte em seu peito
Quem pensou que morresse desse jeito?

A arena toma um silêncio completo
De costas, se afastava o grande inseto
No começo passou despercebida
Mão deslizando rumo a arma caída

Num golpe voraz, uma cabeça ao chão
Nosso adorado "Coração de Leão"
Co'a mão no peito - que o título valha
Mesmo morrendo vence sua batalha

-- Cárlisson Galdino

P.S.: Foto original de inseto do waterwin .


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