Tecnologia

StorYBook: Ferramenta para Escritores

Se você cria histórias já deve ter passado por dificuldade em algum momento para gerenciar personagens, lugares e enredos. Pode ser um personagem que foi cumprir alguma missão no meio da história e você esqueceu, pode ser o retorno de um personagem que você jura que já colocou na história antes e tinha sumido, mas está aparecendo no texto agora pela primeira vez, ou mesmo o uso de informações contraditórias sobre uma mesma pessoa ou lugar.

Claro, com o tempo criamos formas de gerenciar essas coisas. Eu mesmo tenho utilizado páginas de caderno e de wiki para relacionar personagens e acontecimentos. Para Jasmim, por exemplo, tracei no caderno uma linha do tempo até o último capítulo. Também criei ficha da Jasmim como se fosse um personagem de RPG (Sistema Daemon), desde o nível 1 até o nível em que estará no final, com referência ao capítulo onde ela passará de nível.

Bom, se você escreve romances, novelas, peças teatrais, roteiros de cinema ou qualquer coisa do tipo e precisa de uma forma de gerenciar personagens, tenho uma boa notícia para você: existe um software livre muito bom para fazer isso. Feito em Java, ou seja:

  • Lado bom: funciona em Windows, em GNU/Linux e outros cantos onde tenha Java;
  • Lado ruim: você precisa instalar o Java antes e dependendo do equipamento pode ficar um tanto pesado (se bem que hoje em dia isso não deve ser bem um problema).

É o StorYBook, criado e mantido por Martin Mustun. E na versão mais recente, por uma modesta contribuição minha, está também disponível em nosso idioma. Baixe lá no site e veja agora os primeiros passos no uso do programa.

Ao executar o StorYBook, você verá esta tela. Na caixa aparecerão os projetos que já foram criados antes, caso exista já algum. Caso queira criar um novo, clique em Criar Novo Projeto.

Tela de boas vindas do StoryBook

Será perguntado o nome para o projeto. Escreva o nome e clique em Ok.

Digite o nome do projeto

Na janela principal, temos menus bastante intuitivos e uma barra de ferramentas que reproduz as principais opções que estão disponíveis nos menus. Na imagem abaixo você vê os botões para cadastrar personagens, lugares e capítulos. No lado direito, você vê uma lista de persoagens, lugares ou linhas narrativas (você clica na aba em cima dessa lista pra mudar a listagem). Embaixo, um quadro com informações rápidas.

Janela principal do StoryBook

Provavelmente o sistema estará em inglês aí. Se for este o caso, vá no menu File e escolha Preferences. Lá você poderá mudar o idioma para Português Brasileiro.

Antes de mais nada, você deve cadastrar os personagens e lugares. Clicando no botão para cadastrar um novo personagem, você verá a janela abaixo. Coloque nome, sobrenome, abreviação e sexo. Se quiser, pode colocar data de nascimento e falecimento, ocupação do personagem e uma descrição.

Claro que você não preisa cadastrar todos os personagens da história de uma vez, podendo cadastrar novos personagens a qualquer momento da história, mas só poderá colocar nos capítulos referências a eles depois que cadastrá-los, óbvio.

Cadastro de novo personagem

Um lugar é mais simples. Coloque o nome, a cidade, o país e a descrição, sendo os três últimos opcionais.

Cadastrar novo lugar

Para colocar um novo capítulo, escolha a opção e verá uma janela maior que as de cadastro anteriores. Nela, você coloca o número do capítulo e a data. Escolha os personagens e lugares envolvidos (você pode escolher mais de um segurando a tecla Ctrl enquanto clica). Escreva um resumo do capítulo e clique em Ok.

Adicionar capítulo

Utilizando este programa, você vê a lista dos capítulos trabalhados na visão mostrada na imagem abaixo, ou na forma de livro (parecida com a mostrada, onde haverá mais diferença se você usar mais de uma linha narrativa).

Acomapanhando os capítulos

Isso foi só o básico do básico de uso deste programa. Ele oferece muito mais recursos.

Por exemplo, capítulos são agrupados em partes e você pode criar mais partes além da Parte 1.

Você pode ter capítulos seguindo diferentes linhas narrativas. Como Romeu e Julieta, que teria a narrativa da família Montéquio e da família Capuletto. Cada linha narrativa terá uma cor diferente.

Outra coisa muito útil no StorYBook são os relatórios. Você tem relatório de aparecimento de personagem por capítulo, de lugares por capítulo, resumo completo e formatado e alguns outros. O resumo pode ser exportado em vários formatos também.

Ah, não falei sobre "Salvar", não é? Isso porque o StorYBook funciona com um sistema diferente de salvamento, tipo Banco de Dados. Você não lida com arquivos, ele simplesmente salva a cada mudança. Isso significa que você não precisa salvar e tem bem menos riscos de perder seu trabalho.

Enfim, se você escreve qualquer tipo de história, vale a pena dar uma olhada neste programa!


Mentiras e Verdades sobre o Desktop Maker

Desktop Maker

O artigo Desktop Maker: novo concorrente para KDE e GNOME foi lançado ontem, primeiro de Abril. Veiculou, entre outros cantos, no Rec6 e foi citado no BR-Linux. Trata-se de uma mentira, mas baseada em muitos fatos concretos, o que a torna um tanto difícil de ser percebida de início.

  • Verdade 1: o Window Maker já foi mesmo um sucesso e já foi o ambiente padrão de distribuições GNU/Linux no passado.
  • Verdade 2: o Window Maker foi mesmo criado pelo brasileiro Alfredo Kojima. Foi uma continuação do AfterStep.
  • Mentira 1: não existe o Desktop Maker. O link que leva para a suposta página do projeto no Sourceforge dá um erro. E é um erro de arquivos não encontrados pelo servidor web, não um erro devido a excesso de tráfego.
  • Mentira 2: Angelique Tussaud foi um nome gerado a partir do nome "Alfredo Kojima" com uso do Vampire Name Generator. Tente lá pra ver!
  • Verdade 3: o Window Maker de fato é bem conhecido devido aos docks, aplicativos que rodam em áreas quadradas de tamanho padrão. Há muitos docks, pra todos os gostos. Veja o Docksapps para ter uma idéia do que estou falando...
  • Mentira 3: não sei de um projeto que esteja integrando todos os widgets e gadgets e desklets ou como quer que você queira chamar. Deve ser complicado por algumas razões:
    • linguagens de programação distintas: há uns feitos em JavaScript, outros em Python e por aí vai.
    • APIs distintas: cada um deve oferecer um conjunto próprio de funções utilizadas pelos criadores de desklets;
    • Dependência de ambiente: provavelmente estas tecnologias fazem chamadas de sistema próprias de cada ambiente.
    • Ademais, os gDesklets já funcionam no Window Maker, embora consumam bastante memória (tanto quanto rodando dentro do GNOME). Tanto que o screenshot apresentado mostra gDesklets em execução.
  • Verdade 4: o mascote do Window Maker é o panda Amanda realmente, embora seja pouco conhecido.
  • Mentira 4: o bamboo não está sendo desenvolvido. Mas convenhamos: um algoritmo de previsão que desmonta automaticamente um dispositivo milisegundos antes que seja removido é provavelmente a mentira mais descarada deste artigo.
  • Mentira 5: não está sendo desenvolvido um "3DM", mas a idéia de dockapps dividindo espaço em um cubo é legal! :-)
  • Verdade 5: o Window Maker é o gerenciador de janelas oficial do projeto GNUstep (isso não é dito no artigo). Mesmo assim, o WM não usa GNUstep como API gráfica, mas sim a WINGS (WINGS Is Not GNUstep).
  • Mentira 6: o Window Maker não está migrando para GNUstep, na verdade, aparentemente está parado.
  • Mentira 7: não existe DING+oQ e não sei até que ponto a idéia seria boa, já que tanto o GTK+ como Qt suportam tema (estou usando no momento um tema GTK+ inspirado no GNUStep), mas o Kojima já pensou nisso para outras tecnologias. Existe, por exemplo, o TkStep, que implementa a interface do Tk, mas com cara de GNUstep.
  • Mentira 8: não existindo, o Desktop Maker não atraiu a atenção de nenhum investidor. Nem Mandriva, nem NetBSD, muito menos a Sony e...
  • Mentira 9: menos ainda o SBT! A associação do bamboo com o Sílvio foi uma referência a um vídeo que agitou a Internet brasileira ano passado...

A apresentação de slides da Sony foi feita usando a ferramenta gratuita Spresent, que usa Flash. Não preciso dizer que foi uma pista falsa, né?

Já o documento sobre o bamboo, em inglês, é feito de modo que o início de cada parágrafo fala algo coerente, continuando com passagens retiradas da Uncyclopedia.

Conclusões

Alguma idéias apresentadas são realmente interessantes e é uma pena que sejam mentira:

  • cubos de docks;
  • gerenciador de arquivos para Window Maker com gerenciamento de dispositivos. Sim, há alguns já, mas em geral são bastante pesados... E o dock seria o caminho ideal de integração ao Window Maker, não criando ícones no Desktop.

É, meus amigos, não existe um Desktop Maker. E o Window Maker sofre por não ser um desktop, mas apenas um gerenciador de janelas. Para usos comuns de hoje em dia, não ser um desktop traz alguns problemas. Porém, ainda utilizo o Window Maker e digo que dá pra contornar muitas destas coisas. Com algum esforço, dá pra montar um desktop pessoal minimamente utilizável com Window Maker. Aguardem mais capítulos desta história...

-- Cárlisson Galdino


As Artimanhas Continuam...

Há muito tempo, escrevi um artigo ( As Pedras se Movem) falando como a Microsoft desenvolveu uma "inteligência de guerra". Pois é, pois eles continuam mexendo suas pedras.

Depois de lançarem uma nova versão do Windows que incorpora diversas idéias de seus concorrentes (o que seria 100% bom se eles também permitissem que seus concorrentes fizessem o mesmo) e que implementa DRM (Gerenciamento de Restrições Digitais), agora estamos prestes a ver o resultado de seu envio do formato OpenXML para se tornar um padrão ISO.

Há diversas objeções técnicas a essa nova iniciativa. Além de ser um padrão adaptado a uma ferramenta específica proprietária (pensando mais em dificultar concorrentes do que trazer compatibilidades reais e sinceras) e de se tratar de um segundo padrão ISO para a mesma coisa para o qual já existe o ISO 26.300, o Open Document Format.

Confira alguns bons artigos sobre o assunto:

E alguns artigos anteriores:

Concluo, então, com uma frase de Salomon constante no último artigo supra-citado: "A proposta de padronização do Open XML é apenas mais um lance comercial na tentativa de manutenção da hegemonia de um produto de uma empresa.".


eyeOS - Seu Sistema Operacional na Web

Quem nunca ouviu falar que um dia as aplicações todas de que precisamos estariam na Web? As coisas foram acontecendo e hoje temos webmail pra todo lado. E começam a ganhar força, formando a Web 2.0, aplicações mais e mais interativas. São editores de texto online, planilhas eletrônicas... E agora o próprio Sistema Operacional.

A bem da verdade, não seria exatamente o Sistema Operacional, mas sim o Ambiente de Trabalho, ou Desktop. Ainda assim, a idéia é muito interessante. Falo do EyeOS, que chegou à sua versão 0.9.

O site do serviço do eyeOS nos permite conhecer o sistema bem. Recomendo testes. É bem interessante e já tem algumas aplicações prontas.

Editor de textos ricos, com suporte a formatação e tabelas:

Navegador web (estranho isso de um navegador dentro do outro, mas tudo bem):

Até um leitor de notícias RSS já tem. Note que o eyeOS suport temas:

E há bem mais aplicativos além destes. Jogos, agenda, lista telefônica... E cada usuário pode escolher quais aplicativos quer ver na barra de ícones de forma bem simples:

Qual a utilidade de um sistema desses? Imagine uma empresa com 100 máquinas que trabalha basicamente com edição de texto e navegação web. Você instala o sistema em um servidor possante, cadastra todo mundo e libera acesso:

  • os arquivos ficam centralizados, e cada funcionário pode acessar seus arquivos de qualquer máquina;
  • os sistemas ficam centralizados e quando houver atualização, basta aplicá-la em um local;
  • novos sistemas podem ser criados e disponibilizados automaticamente em toda a empresa;
  • cada máquina precisa apenas de uma instalação GNU/Linux (pode ser Windows, mas se tudo que é importante estará na Web, pra que usar um sistema menos confiável?) com apenas modo gráfico e o firefox abrindo automaticamente (é, não precisa nem de gerenciador de janelas).

Realmente gostei da idéia. O projeto apresenta algumas pequenas imperfeições, mas já parece muito bom. Aguardemos os próximos capítulos.

--Cárlisson Galdino


A Cor dos Blogs

Sergio Clemente tratou do assunto blogosférico que está em alta ultimamente. Aqui vão alguns comentários ao seu Blog nosso de cada dia , à brasileira.

Sobre blogs bons e blogs ruins, deixe-me tentar definir um pouco melhor as qualidades que um blog técnico merece ter (na minha opinião, claro):

  • Corretude: independente da área de foco, um bom blog deve ser bem escrito, evitando-se ao máximo erros gramaticais;
  • Opinião: convém o autor apresentar sua própria visão dos fatos/tecnologias (nem sempre aplicável a blogs de práticas, rotinas);
  • Relevância: tratar de assuntos que são realmente interessantes ou úteis para o público a que se destina. Falhas nesse quesito são especialmente comuns quando nos metemos a falar sobre o que não entendemos;

Considerando estes três aspectos a base de um bom blog técnico, poderia dizer que um blog técnico que falhe em algum desses pontos, é um blog sem COR. ;-)

Mas entenda: isso não é uma realidade permanente. Assim como as pessoas, os blogs podem ir melhorando suas virtudes gradualmente (é o que geralmente acontece).

Sobre comentários, o Sergio fala:

"Não que eu esteja desmerecendo o comentário dos meus amigos, porém, não adianta a blogosfera Tecnológica brasileira ficar restrita apenas a blogosfera Tecnológica brasileira."

É bom ter opiniões sim, um retorno, e quando diversificado tanto melhor. Mas pensemos um pouco. Como o próprio post diz no começo, o Brasileiro, por padrão, parece não gostar de ler.

Mas ora! Todo esse alvoroço em Bloglópolis é uma forma de integrar a nós mesmo. E por quê?! Porque nós já navegamos, tratamos de assuntos por vezes comuns e lemos (líamos menos antes de essas questões serem levantadas}.

Claro que é bom ser comentado por universitários, estudantes secundaristas, gente de todo tipo, mas isso se torna um pouco mais complicado hoje. Sim. pois implica em um passo de divulgação para que primeiro (antes de nos comentarem) sejamos lidos por esse público. E lidos no sentido real e completo, não só os títulos.

--Cárlisson Galdino


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